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3000 investigadores debatem em Lisboa futuro da ciência em Portugal

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, afirma que "o Ciência 2017 é um momento de afirmação da vitalidade da ciência que se faz em Portugal"

António José/Lusa

O Ciência 2017 é o maior encontro nacional do setor e vai discutir o Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2017-2020, que define medidas em áreas de intervenção económica, social e cultural das políticas do Governo, como o mar, espaço, biodiversidade, florestas, agroalimentar, saúde, indústria, energia, economia circular, trabalho e robotização, turismo, cidades do futuro, arquitetura, património cultural, inclusão social, competências digitais e computação avançada

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

O Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2017-2020 é um dos principais temas que vai estar em debate no Ciência 2017, que reúne no Centro de Congressos de Lisboa, de 3 a 5 de julho, mais de 3000 investigadores de todas as áreas do conhecimento, técnicos, empresários, gestores, professores e estudantes, assim como cientistas estrangeiros.

O plano define uma série de medidas para os próximos três anos que apostam "na consolidação e sofisticação do sistema de ciência e tecnologia português e na sua articulação com a economia e os cidadãos". Estas medidas estão integradas em 14 agendas de investigação e inovação, que se articulam com todas as áreas de intervenção económica, social e cultural das políticas do Governo.

O Ciência 2017 - Encontro Nacional com a Ciência e a Tecnologia, é o mais importante evento anual da área da ciência que se realiza em Portugal, tendo 100 sessões temáticas organizadas com base nestas 14 agendas, que vão do mar ao espaço, biodiversidade, florestas, agroalimentar, saúde, indústria, energia, economia circular, trabalho e robotização, turismo, cidades do futuro, arquitetura, património cultural, inclusão social, competências digitais e computação avançada.

"O objetivo das agendas é alinhar os esforços dos investigadores e de todos os atores do setor - empresas, centros de investigação, universidades, institutos politécnicos, etc. - em torno delas, promovendo um processo de diálogo contínuo entre cientistas e entre estes e a sociedade", explica ao Expressso Manuel Heitor. O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior acrescenta que "em cada ano vai haver uma avaliação sistemática da concretização das agendas".

Por outro lado, todos os concursos lançados pelo Ministério da Ciência, em especial o concurso para o financiamento de projetos de investigação, vão ser organizados em torno destes grandes eixos do Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2017-2020.

"Afirmação da vitalidade da ciência"

O Ciência 2017 é também um espaço de apresentação e debate do que fazem os centros de investigação, da criação de redes e da realização de contactos entre toda a comunidade científica, "um momento de afirmação da vitalidade da ciência que se faz em Portugal, das suas relações com a indústria, a administração pública e o resto do mundo", sublinha Manuel Heitor.

O programa do evento resultou da consulta prévia a todos os centros de investigação nacionais e grupos de trabalho criados para dinamizar as 14 agendas de investigação e inovação do Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação até 2020, assim como a todos os grupos de técnicos envolvidos na dinamização de programas estruturantes.

Estes programas são a Iniciativa Nacional Competências Digitais (INCoDe 2030), a estratégia nacional “Ciência Aberta”, a Agenda Interações Atlânticas (que prepara a criação do AIR Center - Centro Internacional de Investigação do Atlântico, nos Açores), a Estratégia para o Espaço (Portugal Espacial 2030), as redes temáticas no sector agroalimentar no âmbito da estratégia nacional para a participação ativa no programa europeu PRIMA (Partnership on Research and Innovation for the Mediterranean Area), assim como as redes para garantir a participação portuguesa em grandes programas e organizações internacionais, como o supertelescópio SKA, o CERN ou a Agência Espacial Europeia.

Discutir a prevenção dos fogos florestais

O Ciência 2017 inclui o debate sobre formas e mecanismos de estimular o contributo do conhecimento científico, a curto e médio prazo, para a prevenção de fogos florestais em Portugal, "no âmbito do esforço nacional de aproximar a ciência da sociedade e promover a produção e difusão do conhecimento científico para a gestão e prevenção de grandes riscos públicos e naturais", justifica um comunicado do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

É ainda dado especial destaque à discussão do futuro da política europeia de investigação e, sobretudo, da evolução do atual programa quadro de apoio à ciência e inovação, o Horizonte 2020, assim como das linhas orientadoras do programa quadro para o período de 2021-2027 e da posição de Portugal no debate que decorre sobre este assunto em todos os países da UE.

O evento é organizado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), Ciência Viva e Comissão Parlamentar de Educação e Ciência. Na sessão de abertura haverá intervenções do ministro Manuel Heitor, do presidente da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, Alexandre Quintanilha e do presidente da FCT, Paulo Ferrão, bem como do secretário científico da Organização para a Investigação Espacial Indiana (ISRO), P.G. Diwakar, porque a Índia é, pela primeira vez neste tipo de encontros, o país convidado, estando representado por uma grande delegação de cientistas e técnicos de diversas instituições locais.