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Lembra-se de ouvir música e, lá ao fundo, o ruído de ovos a estrelar? A experiência está de volta!

Divulgaçao

Desapareceram há umas décadas (largas). Substituídos pelos CD, os velhinhos vinis foram para a gaveta, os gira-discos guardados no sótão. Mais tarde, afirmaram-se como produto de um nicho, resistente. Esta semana, a gigante Sony anunciou o regresso ao fabrico de discos de vinil, após 30 anos de pausa

Provavelmente, se é um Millenial, ou seja se nasceu nos anos 80, é bem provável que não tenha memória de estar a ouvir música e, ao mesmo tempo, lá ao fundo, o ruído de ovos a estrelar. Deve conhecer os CD, o MP3, o iTunes. Mas antes de se ouvir música nestas plataformas ou formatos existia, além das cassetes, um objeto preto, em forma de bolacha, chamado vinil - ou simplesmente disco, com um som puro e quase místico, por vezes interrompido pelas impurezas que eventuais grãozinhos de pó pudessem causar à medida que a agulha do gira-discos ia avançando nas espirais do disco. Quanto pior fosse o estado do disco, mais havia o tal ruído a ovos estrelados.

Todas as famílias tinham uma coleção de discos, iniciada pelo pai ou o avô, e ouvir música era um ritual bem mais pausado e apreciado do que na era digital que se lhe seguiu.
Em 1989 - já o Compact Disc (CD) tinha surgido -, a Sony Music, um dos gigantes da indústria discográfica mundial, declarou que iria cessar a produção de discos em vinil. Os CD ganhavam terreno, e já quase ninguém comprava discos de vinil. Venderam-se milhares de CD, surgiu um novo formato de música digital, o MP3, criou-se uma plataforma de venda de música digital, o iTunes, em 2001, em que é possível comprar músicas individuais (singles), em vez de álbuns.

Na loja Louie Louie, em Lisboa, o vinil é um rei sem outros pretendentes ao trono

Na loja Louie Louie, em Lisboa, o vinil é um rei sem outros pretendentes ao trono

Marcos Borga

Os gira-discos praticamente desapareceram (ou tornaram-se peças de luxo). Mas os vinis perduraram, num nicho pequeno, que vem ganhando expressão. Em 2016, nos EUA, venderam-se 17 milhões de álbuns em vinil, num total de 200 milhões de álbuns vendidos. No Reino Unido, foram mais de 3,2 milhões, no Japão, 800 000 unidades, só para nomear alguns.

Na Lucky Lux, na baixa de Coimbra, os vinis também chegaram em força.

Na Lucky Lux, na baixa de Coimbra, os vinis também chegaram em força.

LUCILIA MONTEIRO

Agora, a Sony Music anunciou que vai retomar o fabrico de discos de vinil em duas das suas fábricas no Japão. Não sabemos ainda o volume de produção, mas sabe-se que a Sony instalou um novo estúdio de gravação no centro de Tóquio para produzir os "masters" a partir dos quais serão geradas as cópias em vinil, aproveitando a melhor qualidade do formato. Os melómanos agradecem.