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Sociedade

168 páginas sobre o (ex?)namorado de Portugal

TIAGO PETINGA

Chegou aos escaparates um livro sobre Salvador Sobral. São 168 páginas, mas não é uma biografia. E a autora não falou com o próprio, nem com ninguém da família ou do seu círculo

Até há uns dias, Salvador Sobral era o fenómeno mais consensual dos últimos tempos na sociedade portuguesa. Primeiro e único vencedor de Portugal no Festival Eurovisão da Canção, a 13 de maio (dia de nossa Senhora de Fátima), Salvador Sobral foi recebido como um herói. A sua descontração e genuinidade, a sua diferença assumida dentro do universo musical, a sua humildade geraram uma onda de empatia com o jovem, de 27 anos - apenas manchada pela infeliz frase proferida no final do concerto de angariação de fundos "Juntos por Todos", esta terça-feira.
Daí que surfar a onda da popularidade de Salvador Sobral - e publicar um livro sobre o músico - fossem factos bastantes expectáveis. Esta sexta-feira chegou às livrarias a obra "Salvador Sobral: Coração de Herói", com prefácio de Bruno Vieira Amaral e da autoria de Maria Milene Tavares, de 41 anos, que se estreia na publicação. Consultora de comunicação, Maria Milene escreveu o livro "em cerca de um mês", mas assume: "Não conheci o Salvador, nem falei com ninguém da família ou da sua 'entourage'. Afirma que "o livro não é uma biografia dele", mas sim "uma história de um acontecimento extraordinário, com um herói improvável e muito, muito carismático".

OCTAVIO PASSOS

Convidada pela editora, a Contraponto, para escrever a obra, devido à sua "paixão assolapada por tudo o que respeita ao festival da canção e da Eurovisão", Maria Milene explica que esta se centra na "história de um acontecimento fenomenal, único e quiçá irrepetível que foi a vitória da Eurovisão". Adianta, ainda: "O livro não faz revelações bombásticas ou picantes. Destaco três coisas sobre o Salvador: o ascendente que a irmã tem sobre ele em todas as questões importantes da sua vida; a experiência traumática no "Ídolos" (programa da SIC de talentos musicais), que foi um contacto abrupto com a fama; e a sensação de não pertencer ao "circo" da Eurovisão".
Sobre este herói improvável, que terça-feira cometeu uma 'gaffe' e fez um àparte a despropósito num concerto de beneficência - e pediu desculpas no dia seguinte - , Maria Milene defende: "O Salvador é uma lufada de ar fresco no nosso panorama artístico. Diz o que sente, sem filtros, sem peneiras, e a maioria gosta dessa atitude, que é muito rara nestes meios. Foi o que aconteceu (no espetáculo). O Salvador disse o que lhe veio à cabeça e as pessoas compreenderam isso". Além disso, "revelou princípios e a coragem de pedir desculpa". Quem quiser saber mais, terá de ler para descobrir.