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Armazém de explosivos assaltado em Tancos é guardado 24 horas por dia mas a vedação estava (e está) a precisar de obras

António Pedro Ferreira

Nunca tal tinha acontecido, garante o Exército: esta quarta-feira, os militares que guardavam os Paióis Nacionais de Tancos (armazéns de explosivos) deram com um buraco na rede e dois paiolins arrombados. Agora ninguém sabe onde estão uma centena de granadas de mão ofensivas e munições de calibre 9 milímetros

Carlos Abreu

Jornalista

Os Paióis Nacionais de Tancos de onde desapareceram pelo menos uma centena de granadas de mão ofensivas e munições de calibre 9 milímetros são guardadas 24 horas por dia por militares em rondas apeadas e motorizadas, “várias vezes ao dia e de forma aleatória para não haver um padrão”, assegurou ao Expresso fonte oficial do Exército.

Mas esta quarta-feira, os militares que cumpriam uma dessas rondas detetaram um buraco na dupla rede metálica que circunda o perímetro para logo constatar que quem ali entrou conseguiu arrombar dois dos 14 paióis e paiolins que formam os chamados Paióis Nacionais de Tancos (PNT), onde estão guardados explosivos, munições de artefactos de diversos tipos e quantidades que o Exército não revela por se tratar de informação classificada.

Segundo o porta-voz do Exército, tenente-coronel Vicente Pereira, o local foi de imediato selado e protegido para não comprometer eventuais provas e chamada a Polícia Judiciária Militar, que nesta quinta-feira está a realizar o primeiro inventário do material de guerra em falta.

O Expresso sabe que a rede metálica exterior, com cerca de 2500 metros de extensão, que cerca o perímetro dos Paióis Nacionais de Tancos, tem vindo a ser intervencionada. O perímetro poente recebeu obras no final do ano passado e já este mês foi aberto o concurso para a “reconstrução da vedação da periferia exterior no perímetro Norte, Sul e Este dos paióis nacionais de Tancos”.

Confrontado pelos jornalistas em Bruxelas, onde se encontra a participar na reunião do conselho do Atlântico Norte dos ministros da Defesa, Azeredo Lopes começou por dizer que Portugal, através dos seus serviços de informação militar, tratará de informar os seus congéneres, nesta Europa sem fronteiras.

Informado do desaparecimento deste material pelo chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, o governante manifestou ainda total disponibilidade para, se necessário, em primeiro lugar, “determinar um inventário geral de todo o material militar para estar seguro de que não falta nada” e, em segundo lugar, pedir ao Exército para “verificar se estão a ser cumpridas as boas práticas [de segurança]”.

O porta-voz do Exército assegura que nunca tal tinha acontecido nestas instalações militares. Mas foi neste ramo das Forças Armadas que em finais de 2011 desapareceram dez armas de calibre de guerra, entre espingardas automáticas G-3, pistolas-metralhadoras MP5 e diversas pistolas no Centro de Tropas Comandos, na Serra da Carregueira, concelho de Sintra.

Desta feita, ninguém sabe onde estarão pelo menos uma centena de granadas de mão ofensivas e munições de calibre 9 milímetros. Mas, afinal, o que é uma granada ofensiva? “Trata-se de um engenho feito em plástico por fora, com uma ou duas peças de metal na sua estrutura, que tem como principal função, ao rebentar, causar o chamado efeito de sopro”, explica ao Expresso o tenente-coronel Miguel Machado do site “Operacional”, especializado em assuntos de Segurança e Defesa. Sobre as munições de 9 milímetros, Miguel Machado lembra que se trata de um calibre de guerra muito comum nas pistolas-metralhadoras do Exército e nas pistolas Glock das polícias, por exemplo.

Sobre o incidente, que o ministro da Defesa não desvalorizou e admitiu ser “grave”, Miguel Machado também não poupa nas palavras e classifica-o como “uma quebra se segurança tremenda”. “É uma daquelas notícias que ninguém está à espera de ouvir”, resume.