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Proteção Civil escreve ao secretário de Estado a rebater acusações sobre os incêndios

marcos borga

Responsáveis da Proteção Civil passam ao contra-ataque, depois de serem acusados pela Secretaria-Geral da Administração Interna de terem pedido ajuda tarde demais para evitar as mortes no incêndio em Pedrógão Grande

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Joaquim Leitão, o presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), enviou esta quarta-feira uma carta ao secretário de estado da Administração Interna, Jorge Gomes, a rebater as críticas da Secretaria-Geral da Administração Interna sobre os atrasos nos pedidos de ajuda aos fogos em Pedrógão Grande, que mataram 64 pessoas e queimaram 50 mil hectares.

De acordo com Joaquim Leitão, a ANPC só às 21h12 desse sábado teve a primeira informação da secretaria-geral da Administração Interna a dar conta da queda de três sites (estações): Serra da Lousã, Malhadas e Pampilhosa da Serra. Um facto que segundo a Proteção Civil "afetou as comunicações", não sendo nenhum destes o de Pedrógão Grande.

"Contudo, a comunicação à ANPC, relativamente a este site (Pedrógão Grande) só foi efetuada pela secretaria-geral da Administração Interna às 23h21 (cerca de 4 horas depois)".

A estação de Pedrógão Grande passou por sucessivas intermitências desde as 19h38 desse sábado até ficar em modo local às 21h52, segundo os dados do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).

Na carta, Joaquim Leitão escreve: "Sendo a secretaria-geral da Administração Interna a gestora da rede SIRESP, a questão que se coloca é o motivo para a não comunicação atempada à ANPC desse facto e o porquê de, nessa altura (19h38) não terem sido acionadas as estações móveis para a região afetada."

E acrescenta: "Não obstante o anteriormente referido, é de salientar que a ANPC ao ter conhecimento às 20h55... que se verificavam falhas nas comunicações SIRESP na zona de Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos, encetou, de imediato, contactos com o senhor Secretário Geral adjunto, Francisco Gomes no sentido de serem mobilizadas as estações móveis para as zonas afetadas, tendo o pedido formal sido enviado às 21h29."

A Proteção Civil alega ainda que nunca poderia ter antecipado o pedido de ativação da estação móvel "dado que não tendo a possibilidade de monitorização da rede SIRESP, competência atribuída à secretaria-geral da Administração Interna e por esse facto desconhecer as falhas de comunicação nesta rede nos teatros de operações, não pode por si só, hipotecar as estações móveis que estão adstritas a outras entidades."

Este dirigente salienta que "a ANPC atuou logo que teve informação no teatro de operações, mesmo antes de ter informação da secretaria-geral da Administração Interna."

Recorde-se que há dois dias, a secretaria-geral da Administração Interna acusou a Proteção Civil de ter feito tardiamente o pedido dos carros de apoio móveis com antenas: às 21h29 "era já impossível ter a estação móvel em Pedrógão Grande a tempo de ajudar a minorar as ocorrências que resultaram em mortes."

Ainda de acordo com o relatório assinado por Francisco Gomes, Secretário Geral adjunto da Administração Interna, "ao verificar que a situação se estava a tornar excecional, requisitando mais meios de combate ao incêndio" a Proteção Civil "deveria também em simultâneo ter solicitado preventivamente a mobilização da estação móvel em tempo útil."

O SIRESP já garantiu que a rede "esteve à altura da complexidade do teatro de operações, assegurando as comunicações e a interoperabilidade das forças de emergência e segurança."

Uma das duas estações móvel pretendidas para o teatro de operações, da GNR, encontrava-se inoperacional depois de se ter partido durante a recente visita do Papa a Fátima. A outra, da PSP, estava em reparação em Lisboa. Foi esta última a ser escolhida para ser utilizada em Pedrógão Grande. Só ficaria operacional na manhã seguinte, já depois de as 64 mortes terem tido lugar naquela região devastada pelos fogos.