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Sociedade

Americanos dominam “video-on-demand” na Europa

d.r.

Resultados apurados pelo Observatório Europeu do Audiovisual indicam que a percentagem de títulos produzidos nos Estados Unidos domina de 60% a quase 70% dos menus, grosso modo, dependendo do tipo de serviço

Luís Proença

Os filmes e os programas televisivos de origem norte-americana persistem em deter a parte de leão da oferta disponibilizada através dos serviços de “vídeo-on-demand” (VOD) na Europa. Conforme revelam os resultados apurados pelo Observatório Europeu do Audiovisual, a percentagem de títulos produzidos nos Estados Unidos domina de 60% a quase 70% dos menus, grosso modo, dependendo do tipo de serviço. A fasquia situa-se nos 61% quando são considerados os catálogos de TVOD (“Transactional Video-On-Demand”) e mais acima ainda – 67%, quando são contabilizados os conteúdos das chamadas “livrarias” dos SVOD (“Subscription Video-On-Demand”).

No essencial TVOD e SVOD distinguem-se pela forma de pagamento/acesso aos conteúdos. Os serviços de TVOD pressupõem que o espectador pague por cada conteúdo audiovisual a que vai assistir (“pay-per-view”); o SVOD baseia-se no pagamento, geralmente mensal, de uma subscrição que permite o acesso dos espectadores a uma panóplia diversificada de filmes e programas.

Aqui chegados, e face aos resultados do estudo elaborado pelo Observatório Europeu do Audiovisual, os serviços de VOD (cada vez mais recorrentes, useiros e vezeiros nos hábitos de consumo de vídeo), acabam por revelar uma escalada na oferta da indústria do cinema e da televisão norte-americanas, que tradicionalmente detêm forte relevância na oferta clássica de televisão (aberta ou por cabo) junto dos espectadores do velho continente, mas onde se verifica um maior equilíbrio na oferta face aos conteúdos audiovisuais nacionais – produzidos localmente, nas línguas de cada país e imbuídos nas culturas nacionais.

Os conteúdos de origem europeia quedam-se por um “share” que varia entre os 20% (SVOD) e os 25% (TVOD). 13% no referente aos SVOD tem origens diversas, pelo que é designada como “Internacional”.

O estudo analisa 68 serviços de TVOD, incluído o iTunes, da Apple, e a Wuaki.TV, e 38 catálogos de SVOD (28 dos quais têm a marca da Nextflix, considerados vários países europeus). O serviço europeu da Amazon, lançado em dezembro passado, não foi alvo do estudo, cujo levantamento de dados se deu por concluído em outubro de 2016.

O gigante do SVOD, a californiana Netflix, possuía uma quota de 48% de filmes e programas originários dos Estados Unidos. Enquanto o iTunes, líder do TVOD, apresentava uma fatia de 42% de vídeo “made in USA”.

Os nórdicos (Finlândia, Dinamarca e Suécia) levam a dianteira, com 54% das séries disponibilizadas com origem norte-americana. O Reino Unido é o ultimo da lista, com 39%. Os conteúdos de origem europeia têm maior penetração nos VOD alemães, com 39%.