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Sociedade

Governo diz que condições legais da limpeza das bermas têm de ser “analisadas”

Rui Duarte Silva

Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, referiu que “há muito trabalho a fazer”, nomeadamente no que diz respeito ao acesso a propriedades privadas

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, afirmou este sábado que as condições legais e operacionais da limpeza das bermas das estradas terão de ser analisadas.

“É um processo que, como tudo o que ocorreu, tem de ser analisado”, disse aos jornalistas o membro do executivo, que realiza hoje uma visita por Pedrógão Grande, um dos concelhos do interior norte do distrito de Leiria fortemente afetados pelo incêndio que começou no dia 17.

Pedro Marques recordou que a concessionária, a Ascendi, fez uma “ceifa integral até aos três metros” da faixa de combustível próxima à estrada nacional 236-1, entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, onde morreram a maioria dos 64 mortos provocados pelo incêndio.

“Há muita complexidade no acesso à propriedade privada. Há um conjunto de características que torna mais difícil aquilo que é a limpeza a dez metros, que já é uma limpeza seletiva, que já não implica abate de árvores”, notou o ministro do Planeamento e Infraestruturas. No entanto, Pedro Marques referiu que “há muito trabalho a fazer, nomeadamente o acesso a propriedades privadas e a complexidade desse processo”.

Segundo o ministro, há que apurar “se as condições legais e operacionais que existem são as adequadas em situações como esta”. Apesar disso, o membro do executivo socialista frisou que “um fogo daquelas condições não é com três ou dez metros de limpeza” que é travado. “Aquele fogo foi absolutamente extraordinário, que levou às ocorrências trágicas como as que tivemos naquele troço” da nacional 236-1, realçou.

Dois grandes incêndios deflagraram há uma semana na região Centro, tendo obrigado à mobilização de mais de dois milhares de operacionais. Estes incêndios, que deflagraram nos concelhos de Pedrógão Grande e Góis, consumiram cerca de 53 mil hectares de floresta [o equivalente a 53 mil campos de futebol] e obrigaram à evacuação de dezenas de aldeias.

O fogo que deflagrou em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrou a Figueiró dos Vinhos e a Castanheira de Pera, fazendo 64 mortos e mais de 200 feridos. As chamas chegaram ainda aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra, mas o fogo foi dado como dominado na quarta-feira à tarde.

O incêndio que teve início no concelho de Góis, no distrito de Coimbra, atingiu também Arganil e Pampilhosa da Serra, sem fazer vítimas mortais. Ficou dominado na manhã de quinta-feira.