Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

347 médicos sem acesso a uma especialidade

Carl Court / Getty Images

Hospitais e centros de saúde do Estado não têm vagas para todos os candidatos à especialização. Ordem dos Médicos pede redução urgente do número de alunos em Medicina e aval para os privados darem mais formação

Voltou a confirmar-se o pior prognóstico: o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não teve vagas para todos os jovens que terminaram o curso de medicina e que agora queriam especializarem-se. De fora estão 347 médicos. Para este grupo, as portas fecharam-se mesmo quando "foi apresentado o maior mapa de capacidades formativas de sempre, 1761", das quais 1758 abertas pelo Governo, explica a Ordem dos Médicos num comunicado enviado esta quarta-feira.

O concurso de acesso às especialidades médicas em 2017 terminou agora e a Ordem "está profundamente preocupada com esta situação e já o manifestou de forma reiterada aos ministros da Saúde e da Educação", lê-se na nota. Ou seja, os médicos já prescreveram o tratamento mas o SNS teima em não tomá-lo.

O bastonário Miguel Guimarães sublinha que “a criação de um grupo de médicos sem especialidade é prejudicial para o Estado português, que investe milhões de euros na sua formação sem a devida continuidade, e para o Sistema de Saúde, que pode ser afetado pela diminuição da qualidade da Medicina com prejuízo para os doentes”. Para 'curar este mal', Miguel Guimarães sugere medidas concretas para os governantes da Saúde e da Educação.

Ao ministro da Saúde, explica que “é imperioso que se corrijam as deficiências existentes no SNS, quer em capital humano quer em estruturas físicas, equipamentos, materiais e dispositivos, e se melhorem as condições de trabalho" e que "a contratação dos médicos em falta permitiria aumentar de forma significativa as idoneidades e capacidades formativas e consequentemente o número de vagas". E dá um exemplo: "Atualmente o SNS tem uma relação de menos de dois especialistas para um interno, o que demonstra de forma objetiva a completa saturação do sistema em termos de formação.”

Extinção das vagas exclusivas para licenciados

Já na Educação, Tiago Brandão Rodrigues deverá ponderar que “é urgente adequar o numerus clausus às capacidades formativas das escolas médicas, que têm atualmente centenas de estudantes em excesso de que resulta uma formação clínica deficiente; e já se propôs por diversas vezes que se acabassem com os 15% de vagas exclusivas para licenciados, até porque o país tem uma escola médica específica para licenciados no Algarve”, é afirmado. No comunicado é ainda referido que “todos os anos participam no concurso um número crescente de médicos formados em escolas médicas fora do país; este ano perto de 400”.

O 'tratamento prescrito' não fica por aqui. O bastonário da Ordem dos Médicos afirma ainda que a tutela "deve criar as condições necessárias, nomeadamente ao nível da carreira médica, para que seja possível aumentar a capacidade de formação no sector público e no sector privado".