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Exame de Português: quem respondeu assim só pode ter boa nota

Se esta segunda-feira foi um dos alunos que fez a prova de Português (código 639) e ainda se lembra das suas respostas, trate de confrontá-las com os critérios de correção divulgados pelo Instituto de Avaliação Educacional

GRUPO I

1. Tópicos

– Processo de criação poética dos «poetas que são artistas» (v. 1):

• trabalho minucioso/rigoroso/artesanal, à semelhança do trabalho do carpinteiro e do pedreiro;

• poesia pensada/consciente.

– Processo de criação poética dos poetas que sabem «florir» (v. 4):

• ato involuntário/espontâneo;

• em harmonia com a própria natureza, «única casa artística»; logo, o único modelo de arte.

Exemplo de resposta

No poema, são apresentados dois processos distintos de criação poética. De acordo com o primeiro processo – o dos «poetas que são artistas» (v. 1) –, a poesia corresponde a um trabalho minucioso, rigoroso e artesanal. Neste contexto, as comparações com o carpinteiro (v. 3) e com o pedreiro – «como quem construi um muro» (v. 5) – enfatizam o trabalho formal e, por conseguinte, consciente do poeta. O segundo processo – defendido pelo sujeito poético – é o que se deduz do verso 4, em que o «eu» manifesta a sua tristeza e estranheza por haver poetas que não são capazes de «florir», ou seja, de fazer da criação poética um ato involuntário, espontâneo e tão natural quanto o ato de «florir». Deste modo, o primeiro processo, o de uma poesia pensada, opõe-se à ideia de uma poesia espontânea e simples, dado que está em contradição com a própria natureza que, na sua diversidade e harmonia, constitui o modelo da verdadeira arte.

2. Tópicos de resposta

•  Existência de uma contradição entre aquilo que o sujeito poético afirma («não como quem pensa, mas como quem não pensa») e o que ele faz («Penso nisto»).

• Recusa do pensamento puro e valorização das sensações.

Exemplo de resposta

No verso «Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem não pensa» (v. 9), o sujeito poético exprime a ideia de que o pensamento é algo natural e espontâneo, recusando, por isso, o pensamento puro, na medida em que se afasta das sensações. Ao pensar, incorre, porém, naquilo que combate: a intelectualização. Assim, verifica-se a existência de uma contradição entre o que o «eu» poético afirma (pensar como se não pensasse) e o que faz (pensar).

3. Tópicos de resposta

– Valorização das sensações:

• privilégio da realidade captada pelos sentidos (vv. 10 e 17);

• negação/recusa do pensamento (vv. 11-12).

– Valorização da comunhão com a natureza:

•  o «eu» é um elemento da natureza tal como as flores, partilhando com elas uma «comum divindade»(v. 14);

• a «Terra» é a mãe natureza, acolhedora e protetora (vv. 15-17)

Exemplo de resposta

Na quarta estrofe do poema, a valorização das sensações é evidenciada pelo facto de o sujeito poético privilegiar a realidade captada pelos sentidos, concretamente a visão e a audição, como se comprova nos versos «E olho para as flores e sorrio...» (v. 10) e «E deixar que o vento cante para adormecermos» (v. 17). Nega-se, assim, a necessidade de compreender algo mais além daquilo a que se acede através das sensações, atitude evidenciada nos versos «Não sei se elas me compreendem / Nem se eu as compreendo a elas» (vv. 11-12). A comunhão com a natureza decorre, por um lado, do facto de o «eu» considerar que é um elemento da natureza tal como as flores, partilhando com elas uma «comum divindade» (v. 14) que permite aceder à «verdade» (v. 13) e, por outro lado, do facto de «a Terra» ser caracterizada como a mãe natureza, acolhedora e protetora. Por esta razão, o homem entrega-se à natureza, numa atitude de desprendimento e de aceitação, sem qualquer mediação reflexiva (vv. 15-17).

TEXTO B

4. Tópicos de resposta

– Os episódios da infância evocados por Vergílio Ferreira têm em comum o facto de serem:

•  partidas/despedidas de entes queridos que viajaram para longe;

•  situações de perda que não compreendeu e que lhe provocaram um sentimento agudo de solidão;

– Os episódios distinguem-se pelo modo como essas partidas foram experienciadas por Vergílio Ferreira:

•  a sugestão de imobilidade e a ausência de choro, no momento da partida do pai, contrastam com a corrida atrás da charrete e com o choro durante a noite, no momento da partida da mãe e da irmã mais velha;

• o sentimento de abandono/perda/dor foi mais intenso aquando da segunda partida;

•  no momento da escrita, não tem memória de ter estado acompanhado quando o pai se foi embora,mas recorda-se de ter havido muita gente na despedida da mãe e da irmã.

Exemplo de resposta

Os episódios evocados têm em comum o facto de corresponderem a situações de perda que o autor não compreendeu e que provocaram nele um sentimento agudo de solidão. Estes episódios distinguem-se, no entanto, pelo modo como essas partidas foram experienciadas por Vergílio Ferreira: quando o pai partiu, ficou a vê-lo afastar-se, sem exteriorizar o seu espanto e a sua mágoa; todavia, quando a mãe e a irmã partiram, reagiu, correndo atrás da charrete, na tentativa de as alcançar, e, depois, chorando durante a noite.

5. Tópicos de resposta

•  Tempo (cronológico) da infância reduzido (psicologicamente) a um «longo inverno».

•  Descrição do inverno como um tempo lúgubre, tempestuoso e assustador.

•  Perceção da infância como um tempo penoso, marcado pela angústia, pelo abandono e pela solidão.

Exemplo de resposta

A afirmação «Mas toda essa infância me parece atravessar apenas um longo inverno.» (ll. 13-14) sintetiza a perceção de Vergílio Ferreira em relação à sua infância, na medida em que todo esse período é reduzido a um «longo inverno» (l. 14), refletindo uma vivência psicológica do tempo marcada pela dor. Efetivamente, o facto de a sua infância ter sido cristalizada na memória como um «longo inverno» sugere que se terá tratado de um tempo penoso, sofrido, marcado pela angústia, pelo abandono e pela solidão. Neste contexto, a descrição do inverno, caracterizado como um tempo lúgubre e tempestuoso, triste e assustador, confirma essa perceção.

GRUPO II

VERSÃO 1

VERSÃO 2

1

C

B

2

D

C

3

A

B

4

D

A

5

A

D

6

B

A

7

A

D

8. (Deixis) pessoal

9. (oração) subordinada (adjetiva) relativa (restritiva) 5

10. “ensinar ciência”

GRUPO III

Dada a natureza deste item, não é apresentado exemplo de resposta.

APP JUNHO 2017