Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Na íntegra: o discurso em que Marcelo quis falar de quem quase nunca se fala

ANTÓNIO COTRIM

Leia aqui o discurso na íntegra do Presidente da República, que este domingo pediu aos portugueses que “guardem, no imediato, as interrogações que os angustiam sobre o incêndio” e deixou uma palavra de gratidão a líderes internacionais, ao Papa Francisco, aos bombeiros e polícia e ao “povo anónimo”

“Acabei de promulgar um diploma que decreta luto nacional por três dias. De luto e de dor nacionais efetivamente se trata. A nossa dor neste momento não tem medida. Como não tem medida a nossa solidariedade. A solidariedade para com os familiares das vítimas da tragédia de Pedrógão Grande.

Uma só morte em tais circunstâncias é sempre uma tragédia. Tantas dezenas de mortes representam uma tragédia quase sem precedentes na história do Portugal democrático. Esta é uma hora de dor, mas também de combate, de resistência, de ânimo renovado e redobrado.

Para bombeiros, proteção civil, INEM, GNR, PJ, Forças Armadas, autarquias locais, estruturas de saúde e sociais, povo anónimo... a nossa ilimitada gratidão, o nosso incondicional apoio. Com eles, estarei de novo nos próximos dias a partir já de amanhã.

Esta é uma hora de combate, mas ao mesmo tempo de realojamento, de reconstrução, de garantia social e humana, contando com o testemunho amigo de personalidades tão diversas quanto o Papa Francisco, o Rei de Espanha, os presidente da República de Cabo Verde, da Alemanha, de França e também da República Checa e da Grécia, o secretário-geral das Nações Unidas, o presidente da Comissão Europeia, o príncipe Aga Khan. Uma palavra especial para o Presidente da Colômbia, que acaba de me confirmar o cancelamento da visita de Estado prevista para depois de amanhã.

Nesta hora, há também interrogações e sentimentos que não podem deixar de nos angustiar. A começar por um sentimento de acrescida injustiça, porque a tragédia atingiu aqueles portugueses de quem menos se fala, de um país rural, isolado, com populações dispersas, mais idosas, mais difíceis de contactar, de proteger e de salvar.

Guardemos, contudo, no imediato este e outros sentimentos que legitimamente nos sobressaltam, inconformistas que somos, no mais fundo do nosso coração. Sem os esquecermos, concentremos agora a nossa vontade no essencial: prosseguir o combate em curso, manter e alargar de forma ativa e consequente a nossa solidariedade a quantos sofreram e ainda sofrem a tragédia, demonstrando que nos instantes mais difíceis da nossa vida como nação, somos como um só, por Portugal.”

  • Marcelo: “O incêndio atingiu os portugueses de quem menos se fala”

    Em declarações ao país no dia em que o fogo que deflagrou no sábado continua ativo em algumas regiões e o perigo está longe de estar afastado, o Presidente da República pediu aos portugueses que “guardem no imediato” as interrogações, dúvidas e “sentimentos” sobre o incêndio que fez pelo menos 62 mortos, de acordo com o mais recente balanço do número de vítimas