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Incidentes entre 'drones' e aviões levam à realização de estudo de segurança

Bruce Bennett/GETTY

Um avião com 14 passageiros a bordo teve de realizar uma manobra para evitar a colisão com um 'drone' a 300 metros de altitude quando estava em aproximação para aterrar no Aeródromo de Cascais. Aconteceu ontem ao final do dia e foi o quarto incidente com estes aparelhos nas duas últimas semanas

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) anunciou este sábado a realização de um estudo de segurança devido aos recentes incidentes envolvendo a presença de 'drones' nas trajetórias de aviões. "O GPIAAF decidiu iniciar a realização de um estudo de segurança com vista a caracterizar o histórico de ocorrências deste tipo no nosso país, analisar a eficácia da regulamentação nacional sobre esta matéria e comparar com as práticas que estão a ser utilizadas noutros países para a prevenção deste tipo de ocorrências, com vista à eventual emissão de recomendações às entidades relevantes", disse à agência Lusa o diretor do gabinete.


Nelson Oliveira justificou a medida com "a frequência e características das recentes ocorrências envolvendo a presença de 'drones' na trajetória de aeronaves", ressalvando, contudo, que as ocorrências reportadas "constituem uma violação da regulamentação e um potencial ilícito de natureza criminal por parte dos seus responsáveis".

Na sexta-feira ao final do dia um avião da Aero Vip, do Grupo Seven Air, foi obrigado a realizar uma manobra para evitar a colisão com um 'drone' a 300 metros de altitude quando estava em aproximação para aterrar no Aeródromo de Cascais.


"Na aproximação à pista 35 de Cascais vislumbrei um objeto que julguei ser uma ave. Ao aproximar-me, apercebi-me de que se tratava de um 'drone' de grandes dimensões, de quatro rotores. Tive de mergulhar, aumentar a razão da descida, para evitar a colisão com o 'drone', que passou a cerca de cinco metros acima da asa esquerda", relatou o piloto.


O incidente ocorreu pelas 18h00, num momento em que o 'drone' "estava na linha de voo que o avião seguia" sobre a vila de Tires (distrito de Lisboa), a "dois, três minutos de aterrar". O Dornier 228, com 14 pessoas a bordo, já estava então com a configuração de aterragem e com o trem em baixo.


A companhia Aero Vip, do Grupo Seven Air, é responsável pela ligação aérea regional Bragança-Vila Real-Viseu-Cascais-Portimão, e vice-versa, efetuada diariamente.

Incidentes sucedem-se

Este é o segundo incidente nesta semana envolvendo 'drones' e aviões e o quarto nas duas últimas semanas. É também o oitavo incidente conhecido deste tipo desde o início do ano.

Na quarta-feira à noite, um avião da TAP, com cerca de 130 passageiros, cruzou-se com um 'drone' a 700 metros de altitude, quando se preparava para aterrar no Aeroporto de Lisboa.

O Airbus 319, proveniente de Milão, Itália, "cruzou-se" com o 'drone' por volta das 21h00, no momento em que a aeronave estava à vertical da Ponte 25 de Abril, na zona de Alcântara, e a poucos minutos de aterrar no Aeroporto Humberto Delgado.

A 1 de junho, um avião que se preparava para aterrar no aeroporto do Porto quase colidiu com um 'drone' a 450 metros de altitude, obrigando os pilotos de um Boeing 737-800, da companhia TVF, France Soleil, grupo Air France/KLM, a realizar várias manobras.

Esse incidente ocorreu no momento em que o Boeing 737-800, com capacidade para cerca de 160 passageiros, estava na aproximação final para aterrar, a 3,5 quilómetros da pista 35.

A Associação Portuguesa de Aeronaves Não Tripuladas alertou para os riscos inerentes a estas práticas e chamou a atenção para o regulamento aprovado pelo regulador do sector, que proíbe o voo destes aparelhos a mais de 120 metros de altura. A interdição visa precisamente "minimizar a interação com a aviação geral", e nas áreas de aproximação e descolagem de um aeroporto, "uma vez que são consideradas fases críticas de voo".