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24 mortos, falta de bombeiros, aldeias cercadas, Espanha vai ajudar: o incêndio em Pedrógão Grande

António Costa fez a atualização dos números da tragédia já de madrugada. Número de bombeiros a combater as chamas é “insuficiente” face aos incêndios, que também destroem localidades vizinhas. Apoio internacional está a chegar

SIC Notícias (vídeo) Expresso e Lusa (texto) Paulo Cunha / EPA (foto)

O secretário de Estado responsável pela Administração Interna, Jorge Gomes, fez o primeiro balanço no local pelas 23h40: havia então 19 mortos civis confirmados no incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, por volta das 15h. António Costa atualizou o balanço pelas 02h20: são 24 as vítimas mortais - “e podem ser mais”. E durante a tarde de domingo atualizou novamente: o número de mortos subiu para 61.

Há ainda desaparecidos e vários feridos, alguns em estado grave. Marcelo Rebelo de Sousa deslocou-se para o local - comoveu-se à chegada e foi filmado a dar um abraço longo ao secretário de Estado.

O primeiro-ministro anunciou também que meios aéreos espanhóis vão ajudar ao combate ao incêndio a partir de agora. A prioridade é controlar o fogo logo pela manhã, depois da tragédia verificada durante o dia de sábado. António Costa acrescentou ainda que cinco bombeiros ficaram feridos ao longo das últimas horas em Pedrógão Grande, quatro dos quais em estado grave.

Antes de o chefe de Governo ter feito o novo balanço, o secretário de Estado Jorge Gomes explicou pelas 23h40 que três das então 19 vítimas mortais anunciadas tinham perdido a vida devido à inalação de fumo na via pública e 16 dentro das viaturas, depois de serem apanhadas pelo fogo na estrada. “Manifesto o meu pesar pelas famílias e o meu lamento para com as pessoas que partiram desta forma tão inglória e tão injusta.” Questionado sobre a hora a que as vítimas morreram, o secretário de Estado afirmou que essa informação não é conhecida. “Se tivéssemos noção [da hora], teríamos salvo essas pessoas (...). O incêndio desenvolveu-se de uma forma que não tem explicação.”

O concelho de Pedrógão Grande está com aldeias "em muito perigo, completamente cercadas" e há falta de bombeiros no combate às chamas, disse à agência Lusa o presidente do município, Valdemar Alves. "Estamos a tentar evacuar aldeias completamente cercadas e em muito perigo", sublinhou o autarca, referindo que as zonas mais afetadas são as de Mosteiro, Vila Facaia, Coelhal, Escalos Cimeiros, Regadas e Graça.

Segundo Valdemar Alves, o número de bombeiros a combater as chamas é "insuficiente" face aos incêndios que também destroem distritos vizinhos.

"É impossível acudirmos a todas as aldeias. Estamos a todo o custo a ver se nos chegam bombeiros de Lisboa", realçou o autarca, visivelmente abalado, afirmando que a situação é "bastante dramática".
"Não tenho ideia de ter uma situação como esta em Pedrógão Grande. O fogo esteve às portas da vila, a 50 metros", disse, frisando que na localidade temeu-se o pior.