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TAP vai ter voos para o Canadá a 179 euros

Um dos atrativos de Toronto é a CN Tower (ao centro na foto) e o seu restaurante com vista a 360 graus Foto Turismo do Canadá

Paige Lindsay

A nova rota direta entre Lisboa e Toronto também tem por meta trazer mais turismo ao país que este ano celebra 150 anos

É um novo destino que a TAP se propõe abrir também aos portugueses. Após mais de duas décadas de ter deixado de voar para o Canadá, a companhia portuguesa voltou a esta rota a 10 de junho com cinco voos semanais ligando diretamente Lisboa a Toronto, e desta vez já não com o foco virado apenas para a comunidade de lusodescendentes, mas sobretudo no crescente tráfego turístico que está a vir da América do norte.

Nesta cidade norte-americana cheia de atrativos culturais, que ainda é um destino desconhecido para a maioria dos portugueses, a TAP vai avançar com tarifas desde 179 euros para viagens entre Lisboa e Toronto a partir de 1 de setembro. Trata-se de um preço base que só inclui viagens num sentido (ida ou volta) e insere-se na nova política de tarifas para voos intercontinentais que a companhia vai lançar em setembro, em que a ideia é ter preços diferenciados em função dos serviços que se vão acrescentado à viagem (como embarque de bagagem ou escolha de lugares). Mas em todos os casos as refeições a bordo estão incluídas, mesmo em bilhetes com o preço de viagem mais baixo.

A TAP inaugurou os voos do Canadá já com 38 mil reservas, prevendo atingir nesta rota um sucesso semelhante aos voos dos Estados Unidos, que desde o ano passado já registaram um crescimento de 122% em passageiros.

A arquitetura criativa é marcante em Toronto, e um dos exemplos é o edifício das janelas virtuais (só as do centro são verdadeiras)

A arquitetura criativa é marcante em Toronto, e um dos exemplos é o edifício das janelas virtuais (só as do centro são verdadeiras)

A cidade onde convivem mais de cem culturas

Mais do que a capital financeira do Canadá, Toronto é hoje uma cidade com uma cultura vibrante, a que ajuda o facto de metade da sua população vir de mais de cem origens diferentes. Além da extensa oferta de museus e arte contemporânea, onde se inclui um Museu do Sapato, a multiculturalidade também está à vista na gastronomia e na diversidade de restaurantes com comida proveniente de diferentes origens.

“Em Toronto pode-se comprar comida de todos os lados do mundo. E este ano vão ver muitas bandeiras canadianas porque estamos a celebrar 150 anos de independência”, começa por avisar Javier Martínez ao guiar o ‘city tour’ em Toronto, chamando a atenção para os Jardins da Rainha na zona britânica, “que são a parte mais bonita de Toronto, realmente Vitória deu-nos a independência e, muito importante, sem guerra”.

A cidade é bem planeada, e a melhor forma de a conhecer é andar a pé pelas ruas, já que o ambiente é seguro. À letra, pode não ser possível, pois uma das suas ruas – a Yonge Street – é a maior do mundo: tem 1896 quilómetros, começa no Lago Ontario e termina no Minnesota, nos Estados Unidos. Para fazer compras, a rua mais emblemática é a Bloor Street com as suas lojas de marca e considerada “a milha de ouro de Toronto, uma perdição para as mulheres e uma dor de cabeça para os maridos”, como graceja Javier Martínez. Mas há muitas outras opções para fazer compras na cidade a preços menos ‘salgados’ que na Bloor.

Lojas de marca e com assinatura de designers são um dos atrativos da cidade

Lojas de marca e com assinatura de designers são um dos atrativos da cidade

Os portugueses e os lusodescendentes continuam a ter uma presença forte em Toronto, onde esta comunidade está avaliada em cerca de 250 mil pessoas (perfazendo ao todo 550 mil lusodescendentes no Canadá, segundo os números oficiais”. Mas são apenas uma das 104 culturas diferentes que convivem na cidade, também visível na quantidade de restaurantes etíopes ou indonésios, só para citar alguns exemplos. A presença dos emigrantes em Toronto começou a sentir-se após a primeira guerra mundial, inicialmente com a chegada massiva de italianos que continuam a ser hoje uma comunidade forte. A emigração portuguesa teve mais expressão nos anos 60 e 70, sobretudo com pessoas que vieram dos Açores.
“Os novos habitantes trouxeram tanto à cidade, trouxeram a sua comida, a sua cultura, é excecional como isso foi tão enriquecedor até aos dias de hoje”, salienta Vera Hall, que já foi presidente da Associação de Guias Turísticos de Toronto.

Pequeno Portugal a tornar-se um bairro ‘trendy’

Parte da comunidade portuguesa continua a viver no bairro Little Portugal (Pequeno Portugal), onde não falta uma estátua de Nossa Senhora de Fátima e múltiplas referências portuguesas nos nomes das lojas. A Papelaria Saudade tem pratos do Benfica e do Sporting à porta e o café Nova Era ostenta à boa maneira portuguesa rissóis na vitrina, e serve água do Luso ou sumos Compal.

Mas o ‘Pequeno Portugal’ é hoje um bairro em transformação, e os edifícios em tijolo tradicionalmente utilizados pelos portugueses para vender materiais de construção estão hoje classificados como históricos e estão a dar lugar a pequenos bares e restaurantes ‘trendy’ ou lojas alternativas e a tornar-se um sítio ‘in’ para sair à noite em Toronto.

Little Portugal fica a uma distância a pé do West Queen West, “o nosso bairro oficial de arte e design em Toronto, o que também se mistura com a comida”, conforme sublinha a guia Betty Anne. Esta pequena parte a oeste do bairro maior Queen West – que já foi considerado pela Vogue “o segundo bairro mais ‘trendy’ do mundo” - é uma das zonas mais antigas de Toronto e onde nenhum edifício pode ser deitado abaixo. Os pequenos e históricos edifícios em tijolo com ar assumidamente velho são hoje a alma da “cena de bares e de cultura” e da vida noturna que está a aquecer em West Queen West. “Os canadianos gastam muito dinheiro a comer fora, gostam de sair à noite e conhecer restaurantes e os bares mais ‘hipster’”, salienta Betty Anne.

Cheio de galerias de arte independente e de lojas de roupa ‘funky’, West Queen West é hoje um “verdadeiro destino de arte”, este movimento começou há já alguns anos empurrado por algumas reabilitações de edifícios que se tornaram emblemáticas, e que hoje albergam hotéis que são “verdadeiros hubs de arte e de gente criativa”, como sublinha Betty Anne. É o caso do Drake Hotel, onde a decoração está diariamente a mudar, e convida artistas locais e de todo o mundo a criar obras no seu interior. Tem um bar que é simultaneamente uma sala de espetáculos e com uma inédita “cabine de beijos”, e é bastante procurado durante o Toronto Film Festival que decorre em setembro.

Os grafittis fazem parte da arte urbana em Toronto e são incentivados pelas autoridades locais

Os grafittis fazem parte da arte urbana em Toronto e são incentivados pelas autoridades locais

Toronto está a ser uma cidade cada vez mais requisitada para a produção de filmes, sendo comum ver filmagens a decorrer ao andar pelas ruas. “Esta é uma grande cidade cinematográfica. Nos filmes as pessoas pensam que estão a ver Chicago ou São Francisco mas não, é Toronto . E isto também porque o dólar canadiano está 30% abaixo do dólar americano”, explica Javier Martínez.
A arte dos grafitti é outra face visível da transformação da cidade, e muitas das icónicas pinturas que marcam as ruas são hoje incentivadas pelas próprias autoridades locais, algumas das quais assinadas por artistas cada vez mais reconhecidos neste campo. “Esta é uma cidade que está sempre a mudar, e o grafitti é legal na cidade de Toronto”, adianta Eli Bordnar, que guia passeios especializados a percorrer os principais bairros onde desponta a ‘street art’. Eli Bordnar frisa que “o grafitti não é para durar para sempre, mas para acrescentar valor à cidade”.

Rota do Canadá pode passar a ter voos diários

Os voos Lisboa-Toronto são a ‘joia da coroa’ entre as quatro novas rotas que a TAP inaugurou a 10 de junho, o que também incluiu voos diários para Gran Canaria e Alicante em Espanha, além de dois voos por dia para Estugarda, na Alemanha.

No aeroporto de Toronto Fernando Pinto, presidente-executivo da TAP, falou aos passageiros que iam embarcar no primeiro voo direto para Lisboa a 10 de junho

No aeroporto de Toronto Fernando Pinto, presidente-executivo da TAP, falou aos passageiros que iam embarcar no primeiro voo direto para Lisboa a 10 de junho

“Como todos sabem, hoje é o dia nacional de Portugal, que decidimos celebrar em grande e numa homenagem aos portugueses que vivem fora de Portugal”, disse Fernando Pinto, presidente-executivo da TAP, aos passageiros no aeroporto de Toronto que se preparavam para embarcar no primeiro voo para Lisboa, após ter vindo do voo inaugural que nesse dia partiu da capital portuguesa.

Ao todo a TAP vai avançar este ano com 10 novas rotas, o que inclui a partir de 1 de julho o lançamento de voos de Lisboa para Bucareste na Roménia (seis por semana) e para Budapeste na Hungria (voos diários). A 15 de julho segue-se Colónia na Alemanha (dois voos diários) e a 17 de julho começam as rotas para Abidjan na Costa do Marfim (cinco voos por semana) e Lomé no Togo (quatro voos por semana). A 29 de outubro a companhia vai ainda lançar 12 voos semanais para London City, aeroporto no centro de Londres.

Segundo Fernando Pinto, “a TAP teve um grande impulso desde a sua privatização” traduzido num acréscimo de 1297 voos em 2017, o equivalente a um aumento de 248 mil lugares de avião.

A nova rota do Canadá começou a 10 de junho com cinco voos semanais, que segundo a companhia aérea “podem facilmente passar a voos diários”, reforçando a aposta do acionista David Neeleman de tornar o Atlântico norte no “novo Brasil” para a TAP.


A não perder em Toronto:

  • A CN Tower e o seu restaurante com vista rotativa a 360 graus sobre Toronto
  • Para quem quer fazer compras, a Bloor Street, onde se concentram lojas de marca e com assinatura de designers
  • West Queen West, o “bairro oficial de arte” com pequenos restaurantes, galerias de arte e lojas ‘funky’ numa das zonas mais antigas de Toronto e a distância a pé do bairro ‘Pequeno Portugal’
  • Passeios de iate pelo Lago Ontario a partir do porto de Toronto
  • As cataratas de Niagara ficam a cerca de duas horas de Toronto, podendo alugar-se um carro para lá chegar (alguns hotéis têm programas próprios)