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Greve dos professores: Ministro da Educação diz que está a dialogar com os sindicatos

LUCÍLIA MONTEIRO

Tiago Brandão Rodrigues não adianta se está mais perto de chegar a acordo com os sindicatos ou de avançar para serviços mínimos, mas diz que a tutela “tudo fará para manter a normalidade” nas escolas, a 21 de junho, com ou sem greve

O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, garantia ontem que desde 6 de junho que “não estão a decorrer” reuniões com o Ministério da Educação, nem estão previstas “formal ou informalmente”. Já o ministro da Educação diz que o diálogo com os sindicatos dos professores continua, quando falta pouco mais de uma semana para a greve de dia 21 de junho, convocada pela FENFROF e pela FNE.

“Estamos neste momento, como sempre, em diálogo com as organizações sindicais, também com outros atores que fazem parte da educação porque o caminho faz-se de diálogo e o diálogo continua”, disse ao Expresso Tiago Brandão Rodrigues, à margem de uma cerimónia sobre os 30 anos do Programa Erasmus, que decorre em Estrasburgo.

Na edição deste sábado, o Expresso dava conta de que a FENFROF estava à espera de um sinal do Ministério da Educação para avançar com negociações, no seguimento das declarações de António Costa, que afirmou ter “esperança” num compromisso. Mas o Ministério, para já, não fala em reuniões agendadas.

Tiago Brandão Rodrigues responde que o diálogo “não se cinge a reuniões formais, aquelas que são mais visíveis para o exterior”, mas que é “constante e acontece todos os dias”. O ministro sublinha ainda que “todas as questões relacionadas com as reivindicações foram discutidas de forma aprofundada” nas reuniões com as organizações sindicais, incluindo a 6 de junho, data do último encontro, que culminou com um pré-aviso de greve da FNE (Federação Nacional da Educação) e da FENPROF.

Questionado sobre a possibilidade de o Governo avançar com a convocação de serviços mínimos para obrigar os docentes a vigiar os exames que decorrem nesse dia, Tiago Brandão Rodrigues responde apenas que ele e a tutela “farão tudo para que no dia 21 de junho tudo aconteça com normalidade e tranquilidade nas escolas, quer seja para os que ainda têm atividades letivas, quer seja para os que fazem exames ou provas de aferição nesse dia”.

O ministro não confirma mas também não rejeita recorrer a um mecanismo legal, já admitido pelo primeiro-ministro mas que não assusta Mário Nogueira. A FENPROF considera que os exames não configuram “necessidades sociais impreteríveis” que justifiquem esse recurso.

Um acordo também não está descartado, mas o ministro não diz se os dois lados estão agora mais perto de um compromisso. “Faremos tudo para que a tranquilidade e a serenidade seja uma realidade”, repete apenas Tiago Brandão Rodrigues, sublinhando que o trabalho em termos de reivindicações “foi feito”.

A greve dos professores marcada para o próximo dia 21 de junho deverá afetar 76 mil estudantes do ensino secundário e mais cem mil alunos do 2º ciclo que, para essa data, têm marcados exames e provas de aferição.