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Câmara do Porto insiste em candidatura à EMA, mas quer luz verde do Governo

Fotografia de 8 de maio de 2017, quando Rui Moreira e Manuel Pizarro ainda estavam lado a lado na Câmara Municipal do Porto

ESTELA SILVA / Lusa

Inconformado com a decisão do Governo de apenas candidatar Lisboa a sede da Agência do Medicamento, Manuel Pizarro insiste em reverter nega e manter o Porto na corrida. Rui Moreira, que exortou o António Costa a divulgar os estudos que afastaram a candidatura portuense, só aceita nova investida se não for uma causa perdida

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Depois de ter exigido ao Governo, na passada semana, a divulgação pública dos estudos que estiveram na base da candidatura de Lisboa a sede do organismo que irá ser deslocalizado de Londres na sequência do Brexit, Rui Moreira foi confrontado, esta terça-feira, em reunião de executivo com uma proposta da vereação socialista para que a Câmara do Porto crie um grupo de trabalho para reverter a lógica de candidatura única.

A proposta foi feita curiosamente pelo candidato socialista à Câmara do Porto, Manuel Pizarro, mas Rui Moreira, bem como os vereadores independentes, apenas votaram favoravelmente a nova investida para sedear a EMA, se o Governo aceitar reverter a situação de Lisboa de correr a solo, conforme decisão do Conselho de Ministros de 27 de abril.

Em carta ao primeiro-ministro de 2 de maio, o presidente da Câmara do Porto manifestou o interesse da cidade em ser incluída no processo de candidatura à EMA, alegando a importância que a agência terá para a região, âncora de cluster farmacêutico e da saúde e recordando que Lisboa é já sede de outras entidades europeias. A resposta à carta, revelou hoje Rui Moreira, só chegou esta segunda-feira, após os protestos do autarca contra o centralismo da grande metrópole na RTP, há uma semana, e sexta-feira na presença de António Costa, no discurso das celebrações do Dia de Portugal, no Porto.

Na missiva a Moreira, o primeiro-ministro justificou a candidatura exclusiva de Lisboa, onde está instalado o Infarmerd, e “porque com uma terceira agência europeia na capital seria possível a criação de uma Escola Europeia”, argumentos que levou, hoje, Rui Moreira a concluir que “é este o centralismo que temos de combater”.

Após ter resistido à proposta de Manuel Pizarro, ex-parceiro de coligação autárquica, o autarca acabou por votar favoravelmente a candidatura à EMA, mas desde que o Conselho de Ministros aceite revogar a resolução única em prol de Lisboa. A decisão de criar um grupo de trabalho para avançar com a candidatura - aprovada por unanimidade em reunião de câmara - tem, no entanto, como requisito prévio a luz verde do Governo, comprometendo-se a autarquia a entregar o processo no prazo de 30 dias.

Secretismo criticado

De acordo com um comunicado da Câmara, Rui Moreira explicou ao executivo que Espanha discute o assunto desde julho de 2016, discussão nacional que culminou com a escolha de Barcelona como candidata à EMA. “Em Espanha, há cinco agências europeias e todas fora de Madrid”, afirmou Moreira, lembrando que que a Escola europeia do país vizinho fica em Alicante e ser rara a coexistência de localização entre escolas europeias e agências.

“Muito Menos é normal encontrar escolas europeias em capitais. Em Itália há duas agências e nenhuma fica em Roma. A Escola Europeia é em vareses, onde não há agências. E Itália está a candidatar Milão à EMA”, rematou Rui Moreira.

Embora não tenha garantido que o Governo aceitará rever a sua posição, Manuel Pizarro propôs para presidir ao grupo de trabalho Eurico Castro Alves, diretor do departamento de cirurgia do Hospital de Santo António no Porto. O presidente da Câmara do Porto esclareceu ainda que foi criado pelo Governo um organismo, designado Portugal IN, que serve para articular os investimentos em Portugal, sendo que “nunca a Câmara do Porto foi informada previamente sobre a intenção do Governo em candidatar Portugal à EMA”, secretismo já havia criticado há uma semana.

O presidente do Conselho Metropolitano do Porto, Emídio Sousa, o Reitor da Universidade do Porto, Sebastião Feyo, o presidente do Conselho Regional da Ordem dos Médicos, António Ferreira Araújo, e o eurodeputado Paulo Rangel já se colocaram ao lado das posições da Câmara contra o centralismo, ao defender que o Porto seria a melhor localização para a EMA.