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Comerciantes do Bolhão mudam de casa em setembro

Recuperação do Bolhão custará €27 milhões e estará concluída em 2019

Rui Duarte Silva

Obras do mercado temporário do Bolhão, que acolherá durante dois anos os comerciantes com atividade no edifício original, arrancaram esta segunda-feira no Centro Comercial La Vie. A casa provisória dos 68 vendedores fica a 200 metros do velho mercado de frescos, que fechará ao público no outono para obras de requalificação

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Os 68 comerciantes com banca no interior do velho Mercado do Bolhão, no centro do Porto, vão mudar para o vizinho Centro Comercial La Vie, na Rua Fernandes Tomás, entre o final de agosto e início de setembro, espaço onde manterão a venda de frescos durante os 24 meses previstos para as esperadas obras de restauro do decadente edifício, inaugurado na década de 1940.

As obras no mercado de substituição, a 200 metros da entrada norte do Bolhão, tiveram início esta segunda-feira e estarão prontas para acolher os vendedores em meados de agosto. A Câmara do Porto anunciou, esta segunda-feira, que este é mais “um passo importante no complexo processo de restauro e modernização do Mercado do Bolhão”, imóvel que aguarda obras de intervenção prometidas há três décadas.

A recuperação do velho espaço, uma das promessas de campanha de Rui Moreira em 2013 e que derraparam para o próximo ciclo autárquico, teve início há menos de um ano, com obras no subsolo de desvio de um curso de água que atravessava o mercado, empreitada lançada pela empresa Águas do Porto. A intervenção nas fundações, destinada à criação de cave de armazenamento, estará concluída na próxima semana, decorrendo em simultâneo o concurso para a empreitada principal de requalificação do mercado, orçada em 25 milhões de euros.

As obras no La Vie custarão 900 mil euros, mas os equipamentos que vão ser instalados provisoriamente não serão os definitivos do novo Mercado do Bolhão. Segundo a assessoria do presidente da Câmara do Porto, os comerciantes com lojas no exterior do edifício do Bolhão só terão de se mudar temporariamente mais tarde, tendo a autarquia disponibilizado três opções aos inquilinos: mudança para o La Vie, suspensão provisória da atividade ou apresentação dos interessados em loja fora do mercado, sendo estas duas últimas escolhas compensadas financeiramente pela autarquia. A maioria optou por suspender temporariamente a atividade até ao regresso ao mercado reabilitado.

Licenças voltam a transitar de geração em geração

De acordo com Nuno Santos, os 68 comerciantes do interior do mercado representam três quartos da capacidade do espaço comercial, exclusivamente dedicado a venda de produtos frescos, o que levará à admissão de novos interessados. Ao contrário do que ocorreu na era Rui Rio, que impossibilitou a transição de licenças de geração para geração, “o atual executivo autárquico alterou entretanto as regras, que podem passar de pais para filhos, pois melhor do que ninguém conhecem a dinâmica do mercado”.

Antes do regresso ao Bolhão, a Câmara do Porto vai promover cursos de formação a novos e atuais comerciantes do espaço.

Em entrevista recente ao Expresso, Rui Moreira garantiu que, tal como nas últimas eleições autárquicas, não irá fazer campanha “com as suas amigas do Bolhão”. Criticado pela falta de obra na cidade nos quatro anos de mandato, o autarca justificou a demora na requalificação do mercado por ter optado por um novo projeto em relação ao encomendado por Rui Rio. “Será um mercado que manterá a sua tradição de venda de frescos e integralmente público”, referiu Rui Moreira.