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#santos_populares. A pior noite do ano

Em Alfama (na foto) ou em qualquer outro bairro popular de Lisboa, a confusão é garantida na noite de dia 12

Foto António Pedro Ferreira

Não percebo o fascínio pelos Santos Populares. Tenho amigos a quem os olhos brilham quando ouvem falar de um arraial. A mim só me dá vontade de ir para fora. Em Lisboa é que não me apanham.
O pior, claro, é a grande noite, a de dia 12, véspera do Dia de Santo António. Não sei o que é pior: se ter de cantar e dançar o "Quero Cheirar o Teu Bacalhau" estando sóbrio ou fingir que me divirto no meio de tanta confusão.

O filme repete-se todos os anos, mas bastou-me cair na patranha um par de vezes para não me voltarem a enganar. Os amigos insistem que "não está assim tanta gente na Bica", mas só quando lá chegamos é que percebemos o engodo. É bom que estejamos preparados para perder uma hora só para andar uma centena de metros, entre empurrões e o cheiro a suor de milhares de pessoas. E é bom que nos sobre paciência para esperar em filas para beber algo ou comer mais uma sardinha vendida a preços exorbitantes

Ir à casa de banho? Pensassem nisso antes de sair de casa. Precisam de um táxi ou de um Uber? O melhor é começarem a dar corda aos sapatos e fazerem-se ao caminho. Preferem levar carro? Boa sorte a encontrar onde o estacionar.

Metam-me numa casa com alguns amigos a assar umas sardinhas e sou feliz. Enfiem-me nos Santos Populares e sinto-me morrer. Vão e divirtam-se. Eu cá vou ali até ao Porto, enquanto não começa o São João.