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Numa época em que os SUV são, por norma, automóveis urbanos com um visual mais aventureiro, o Jeep Compass vem contrariar a tendência e assumir que está à vontade fora de estrada. O novo SUV compacto da Jeep está a ser apresentado à imprensa internacional na região de Lisboa. O jornalista Rui Pedro Reis foi dos primeiros a testá-lo e revela porque é que este é mais do que um carro para subir passeios.

Texto Rui Pedro Reis/SIC

Há muito que o Compass pedia desesperadamente por uma renovação que o colocasse ao nível dos Jeep Renegade e Cherokeee. Ao início da manhã o ponto de encontro estava marcado para a zona de Alcântara, em Lisboa. Mas o destino era a serra de Sintra, onde dois percursos fora de estrada prometiam revelar os atributos de aventureiro do novo Compass. Desde logo, o automóvel que partilha a plataforma do Jeep Renegade e do Fiat 500X, agrada pelo visual robusto. Os responsáveis pelo design são norte-americanos e assumem a inspiração no Cherokee. Coisa bem feita, já que dá ao Compass um estilo aventureiro com ares de todo-o-terreno. O tejadilho descendente e em preto aumenta a imagem desportiva do carro e até o torna mais compacto. Por dentro, a inspiração no Cherokee é ainda mais evidente. Face à geração anterior, nota-se um maior cuidado na qualidade dos materiais e no conforto. Uma nota muito positiva para o volante, que tem excelente pega e para a posição de condução, bem elevada como se quer neste género de automóveis. A consola central vai um pouco contra-corrente. Lá está o écran do sistema de infoentretenimento, mas à volta há ainda alguns botões físicos, ao contrário do que acontece em muitos dos concorrentes diretos. Há quatro níveis de equipamento: Sport, Longitude, Limited e Trailhawk. Este último, utilizado no ensaio, é o mais apontado a aventuras fora de estrada.

Robustez e elegância

Robustez e elegância

O percurso até Sintra faz-se sem perder tempo e por autoestrada. É bom para revelar um dos atributos do Compass: suavidade de rolamento, boa insonorização e excelente trabalho de engenharia a minimizar os ruídos aerodinâmicos. Nascida em 2007, a gama Compass está mais madura e parece beneficiar da entrada da Jeep no grupo FCA (Fiat Chrisler), com uma interessante combinação entre o ADN norte-americano e a engenharia italiana. Em estrada, percebe-se que há muito espaço a bordo e que o Compass ganha claramente face ao Jeep Renegade, com uma vantagem de mais 6cm entre eixos e mais 8cm de espaço para as pernas na segunda fila de bancos. A bagageira de 468 litros é referência no segmento e é perfeita para viagens de uma família com dois filhos.

À chegada a Sintra, o GPS indica a estrada da Peninha, onde estão “desenhados” dois percursos em piso de terra com muitas pedras à mistura. O mais exigente é um exclusivo para a versão Trailhawk, mais alta que a versão Limited e apenas com tração integral. É o mais aventureiro dos Compass, mas será também o que vai implicar maior investimento. A primeira parte do percurso é “trialeira”. Pedras de dimensões generosas e a suspensão a fazer o trabalho que lhe compete. Depois, a secção final já deixava ver trilhos rápidos, de terra, com o sistema de tração integral a deixar o automóvel mais solto, mas com um comportamento muito positivo. O sistema de tração integral tem duas embraiagens: uma no diferencial traseiro e outra no diferencial dianteiro, que abre ou fecha consoante a leitura que os sensores do sistema fazem do piso. O sistema tem os modos Jeep Active Drive Jeep Active Drive Low, com este último a ter uma relação de 20:1 e capacidade para enviar todo o binário para uma única roda. O sistema Select Terrain faz parte do Jeep Active Drive e tem cinco modos (Auto, Snow, Sand, Mud e Rock, com o último disponível apenas no Trailhawk). Deu para perceber o que pode fazer, mas aposto que muitos compradores do Compass vão preferir não entrar em aventuras tão radicais. Para quem vai fazer essencialmente uma condução urbana, o Compass é um concentrado de tecnologia, com mais de 70 sistemas (em especial nas áreas de segurança e informação.

Quatro motores para diferentes perfis

Quatro motores para diferentes perfis

O Jeep Compass é um daqueles casos (cada vez mais raros) em que o Diesel ainda é a escolha acertada. A gama tem duas opções a gasolina e outras duas a gasóleo. Nos blocos a gasolina, destaque para o 1.4 nas versões de 140 cv e 170 cv. Depois há o possante 2.4 com 184 cv. Já nos diesel a oferta começa no 1.6 turbodiesel com 120 cv. A gama é completada pelo 2.0 nas versões de 140 cv e 170 cv. O Jeep Compass chega a Portugal em Outubro deste ano. Falta saber preços mas é quase seguro que vão começar acima dos 40 mil euros. Também depois do verão, a marca vai deixar o atual importador, o Grupo Bergé, e passar para as mão do Grupo FCA, que já detém o controlo estratégico da Fiat, Alfa Romeo, Abarth e Lancia.

Jeep Compass

Motor
1956 cc
170 cv
380 Nm às 3 750 r.p.m.

Transmissão
Integral
Caixa automática de 9 velocidades (ou caixa manual de 6 velocidades)

Prestações
196 km/h
9,5 s 0-100 km/h

Consumos
5,7L/100km
148g CO2/km

Preço n.d.