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Quem são os três heróis militares que o Presidente condecorou

ESTELA SILVA

Um sargento da Força Aérea que resgatou 18 pessoas e assistiu a um parto a bordo de um helicópetro. Um capitão-tenente da Marinha que ajudou a salvar refugiados à deriva no Mediterrâneo. Um cabo do Exército, condutor de blindados e recém chegado do Kosovo. Conheça os militares dos três ramos das Forças Armadas que Marcelo Rebelo de Sousa vaicondecorou no Dia de Portugal

Fixe estes nomes: António Ribeiro Barreiros, Mário Cortes Sanches e Tiago Silva Portela. O Presidente da República vai, hoje, condecorá-los por "serviços distintos" e "mérito militar" e a justificação oficial - sempre formal e protocolar - refere comportamentos que trouxeram "honra e lustre para a pátria ou para a própria instituição militar". As medalhas têm, porém, várias histórias escondidas. Estas, valem bem a pena ser conhecidas.

A nota oficial da Presidência da República não refere idades, nem se detém em detalhes sobre cada um dos protagonistas das condecorações militares do 10 de junho. Por isso, não é possível dizer nem a idade, nem a naturalidade de António Ribeiro Barreiros, o sargento-chefe da Polícia Aérea distinguido com a Medalha de Serviços Distintos, grau prata. É a mais alta condecoração militar que será hoje atribuída. E se há poucos dados biográficos sobre o protagonista, a sua folha militar com 30 anos de carreira, tem matéria suficiente para notícia.

Há dez anos, o sargento resgatou quatro franceses, tripulantes de um catamaran. Com idades entre os 33 e os 63 anos, os velejadores embateram contra um navio mercante a 30 milhas a noroeste do Cabo Raso e a embarcação onde viajavam corria o risco de afundamento. "Nuage 4" era o nome do catamaran e foi a partir de um helicóptero da Força Aérea que António Barreiros conseguiu resgatar os náufragos que, seguiram para o hospital Curry Cabral com ferimentos ligeiros e, imagina-se, um grande susto para contar.

No ano seguinte, na Foz do Douro, foi dado um alerta. 19 trabalhadores da empresa Somague estavam retidos nas obras do farol que estava a ser construído na ponta do molhe Norte. A forte ondulação cortou-lhes a passagem. Uma das maiores marés do ano, agravou a situação, a que nem os barcos semirrígidos deslocados para o local conseguiram fazer face. Contam as notícias da altura que um dos trabalhadores decidiu, por sua conta e risco "correr paredão fora, enfrentando as ondas e saindo da zona de risco". Ficaram ainda 18 para acudir.

Dois helicópteros foram deslocados para o local. O da Proteção Civil, resgatou 4 trabalhadores. O 'Merlin', da Força Aérea, onde seguia o sargento-chefe Barreiros ocupou-se dos restantes 14. Em apenas duas horas e meia a operação estava terminada e todos os operários, levados para o aeroporto Sá Carneiro onde uma unidade de emergência médica foi instalada, encontravam-se "sem ferimentos, pelo que a assistência se concentrou em eliminar os efeitos de algumas horas passadas ao frio e de sinais de pânico", escreve o Jornal de Notícias no dia seguinte.

Finalmente e como se não bastasse, a última razão invocada para condecorar o militar da Força Aérea diz respeito ao "salvamento número três mil". Podia chamar-se «Lázaro», o nome do bebé que nasceu a bordo da mesma aeronave em que o sargento chefe viajava. Eram 4h55 do dia 28 de setembro de 2013 e o parto decorreu durante uma evacuação médica da ilha Graciosa para a ilha Terceira, nos Açores. Como todas as histórias com final feliz, a Força Aérea registou que "mãe e criança se encontram bem de saúde", apesar de terem sido encaminhadas para o Hospital da ilha de São Miguel, por se tratar de um bebé prematuro.

Com Mário Cortes Sanches, o Presidente da República distingue um militar da Marinha com a Medalha Mérito Militar de 2ª Classe. O capitão tenente é oficial imediato da fragata Vasco da Gama. Esteve mais de dois anos no comando naval e participou no planeamento das operações Indalo e Triton que lhe mereceram louvores e honras dos seus superiores hierárquicos. A folha de serviço não tem espaço para registar os nomes das pessoas que ajudou a salvar. Mas, pelo menos os refugiados à deriva no Mediterrâneo podem estar-lhe gratos. Como há três anos, no sul da Sicília numa missão conjunta que resgatou do mar 196 imigrantes africanos a bordo de uma embarcação de madeira. Ou pouco depois, ao largo de Espanha. Ou na Grécia. Os refugiados não têm nome, mas uma origem comum: a fuga da guerra, da miséria e da fome.

Tiago Silva Portela pertence ao Primeiro Batalhão de Infantaria Mecanizada. É primeiro cabo e acabou de regressar do Kosovo, precisamente há um mês, naquela que foi a participação do último batalhão português nas forças da NATO na ex-Jugoslávia. O militar do Exército é condutor de Pandur, as viaturas blindadas que, na zona de Pristina ajudaram a manter a segurança no território. Garante a Presidência da República e o Estado Maior que desempenhou a sua missão "em condições difíceis" e que mostrou "o brio do soldado português no exercício Trident Juncture. Para melhor se perceber, o exercício foi um teste militar da Nato, realizado em Portugal há dois anos e que envolveu 30 mil operacionais dos vários países membros da Aliança Atlântica..

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