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Trabalhadores do Hospital da Cruz Vermelha em greve por aumentos salariais

Ana Baião

“A greve, convocada pelo Sindicato da Hotelaria do Sul e Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, teve início às 23h de quarta-feira e teve uma adesão de 100% no que diz respeito a este turno”, disse à agência Lusa o sindicalista Fernando Pinto

Três dezenas de trabalhadores do Hospital Cruz Vermelha Portuguesa, que iniciaram uma greve na terça-feira, estão esta quinta-feira concentrados junto àquela unidade por aumentos salariais e prosseguimento e conclusão do Acordo de Empresa, segundo uma fonte sindical.

“A greve, convocada pelo Sindicato da Hotelaria do Sul e Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, teve início às 23h de quarta-feira e teve uma adesão de 100% no que diz respeito a este turno”, disse à agência Lusa o sindicalista Fernando Pinto.

De acordo com Fernando Pinto, do Sindicato da Hotelaria do Sul, a greve de 24 horas abrange os enfermeiros, técnicos de saúde, auxiliares e funcionários das cantinas.

“A greve, no período da noite, teve 100% de adesão, só estiveram a ser cumpridos os serviços mínimos. Os trabalhadores aderiram em massa, e, neste momento [7h30], estamos à porta do hospital para chamar a atenção da administração para que perceba que os trabalhadores estão cansados, fartos de esperar para ver a sua situação regularizada”, salientou.

Fernando Pinto explicou que a Sociedade Gestora do Hospital Cruz Vermelha Portuguesa (HCVP) avançou em abril de 2016 com a apresentação da denúncia do Acordo de Empresa (AE), assumindo a intenção de “rutura com o atual AE em vigor”.

O sindicalista contou que ao “longo de cerca de duas dezenas de reuniões de negociação diretas com o HCVP e após já terem sido apresentadas três reformulações das propostas (última foi apresentada a 28 de abril), a sociedade gestora do hospital optou por voltar a negociar tudo de novo”.

“Está prevista uma reunião com a administração no dia 19 de junho. Nós não fechámos as negociações. Esta greve é uma chamada de atenção para os problemas dos trabalhadores, que querem ver uma melhoria das suas condições de vida e regularização salarial”, disse.

Segundo Fernando Pinto, a HCVP “não tem intenção de negociar os aumentos salariais pelo facto de recorrer a precários através de empresas de subcontratação e de falsos recibos verdes para ocuparem postos de trabalho permanentes”.

“Estamos a falar de 170/180 trabalhadores se contarmos com os recibos verdes, que achamos serem funcionários permanentes e dai que a nossa intenção seja a de que estes sejam inseridos no AE”, disse, acrescentando que “os médicos não convocaram greve porque "são de uma classe diferente no que diz respeito às condições de trabalho”.

“Por isso, decidimos os trabalhadores decidiram avançar para a greve, para exigir aumentos salariais para todos, pelas 35 horas semanais, pelo prosseguimento e conclusão das negociações e assinatura do AE, sem perda de direitos, pela integração no AE de todos os funcionários que prestam serviço no hospital e cumprimento dos direitos consagrados no AE”, disse.