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Sociedade

Nove hospitais em risco de fecharem serviços

O Hospital Amadora-Sintra é uma das unidades em risco de ver serviços fechados por falta de enfermeiros especialistas

AnaBaião

Enfermeiros especialistas vão cessar funções diferenciadas a partir de 3 de julho por remuneração inadequada. Unidades ameaçadas localizam-se de Norte a Sul. Bastonária pede intervenção do primeiro-ministro

O problema já não está nas mãos do ministro da Saúde. A remuneração dos enfermeiros especialistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) requer uma intervenção superior, do próprio líder do Governo. A afirmação é feita pela bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, que alerta já ter sido informada por profissionais de uma dezena de unidades de que vão cessar as funções diferenciadas a partir do próximo mês.

"A Ordem dos Enfermeiros teve conhecimento, por escrito, das manifestações enviadas aos presidentes dos conselhos de administração e ao ministro da Saúde por enfermeiros especialistas em saúde infantil e pediátrica, reabilitação, médico-cirúrgica e materno-obstétrica de todo o país", lê-se no comunicado enviado. O boicote pode levar ao fecho de serviços no Agrupamento de Centros de Saúde do Cávado III/Barcelos/Esposende, nas unidades locais de saúde de Castelo Branco, Norte Alentejano e Baixo Alentejo e nos centros hospitalares de Baixo Vouga, Lisboa Central e Médio Tejo e nos hospitais Amadora-Sintra, Évora e Guimarães.

Perante os avisos, a bastonária alerta que a "tomada de posição já é um movimento de âmbito nacional, mas infelizmente, apesar da ameaça latente de bloqueio de serviços do SNS, até agora não tivemos qualquer tomada de posição do senhor primeiro-ministro já que este assunto não está na mão do ministro da Saúde." Ana Rita Cavaco avisa: "Esta situação não pode continuar a ser ignorada pelo Governo, sob pena de dentro de algumas semanas fecharem serviços nos hospitais de Norte a Sul do país.”

A transferência de responsabilidades do ministro para o primeiro-ministro, António Costa, não iliba, ainda assim, Adalberto Campos Fernandes. Ana Rita Cavaco lembra que “ainda está por cumprir o compromisso assumido pessoalmente pelo ministro da Saúde para a criação de um regime de exceção para a Saúde". Por outras palavras, para "deixarem de depender das Finanças as autorizações de contratações e de substituições de enfermeiros do SNS, o que continua a provocar o encerramento de camas por todo o país".

Dados da Administração Central do Sistema de Saúde relativos ao primeiro trimestre revelam um aumento de 2,8% no número de profissionais no SNS. São mais 3527 enfermeiros, médicos e outros técnicos do que nos primeiros três meses do ano passado, contudo as substituições fazem-se a um ritmo lento, deixando diariamente lacunas a descoberto.

Esta semana, no "Observador", Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares recorreu à ironia para explicar o problema. "A mãe Saúde pede mais acesso, mais qualidade e quer conter os custos. O pai Finanças restringe o orçamento e aumenta custos com a reposição de salários e valor das horas extra".