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Francisco Pinto Balsemão: “É preciso lutar pela reabilitação do papel dos media”

A distinção é um reconhecimento pelo “muito que Francisco Pinto Balsemão contribuiu, como cidadão, como jornalista e como empresário, para o desenvolvimento do país”.

José Oliveira

Presidente do grupo Impresa, que detém o Expresso, foi distinguido esta segunda-feira com a medalha de ouro do Instituto Politécnico de Lisboa, numa cerimónia em que falou sobre o que significa hoje lutar pela liberdade de expressão

Francisco Pinto Balsemão recebeu esta segunda-feira de tarde a medalha de ouro do Instituto Politécnico de Lisboa (IPL), numa cerimónia comemorativa dos 31 anos da instituição. Nas palavras do presidente do IPL, Elmano Margato, a distinção homenageia “uma figura ímpar e incontornável”, reconhecendo o “muito que Francisco Pinto Balsemão contribuiu, como cidadão, como jornalista e como empresário, para o desenvolvimento do país”.

Como convidado de honra da sessão, o presidente do grupo Impresa fez uma intervenção sobre “O que é, hoje, lutar pela liberdade de expressão”. Perante um auditório praticamente lotado e uma plateia atenta, Francisco Pinto Balsemão sublinhou que “nunca se pode dar como garantida a liberdade de informar e de ser informado”, enumerando em vários pontos a forma que temos de lutar pela liberdade de expressão.

“É, em primeiro lugar, lutar contra a censura”, afirmou, ao recordar que esta continua a existir “em mais de metade do globo”. Como? “Devemos noticiar, denunciar e criticar os abusos e violações cometidos pelo poder político”, onde quer que aconteçam, a todos cabendo também “apoiar os movimentos e associações que ajudam os que lutam no terreno contra os abusos e pela melhoria de condições do exercício do direito a informar”.

Não aceitar que, em nome da segurança, as liberdades sejam cerceadas

Francisco Pinto Balsemão elencou como segundo ponto a necessidade de “lutar contra a desinformação que prospera e se multiplica na lixeira da Internet”. Em tempo de notícias falsas e factos alternativos, lembrou que a mentira ou as “meias verdades” sempre existiram, mas uma das novidades é “o exercício da pós-verdade” em novos moldes, “alimentado, torrencialmente e a alta velocidade, pela ascenção das redes sociais como fontes prioritárias de informação”.

“Não aceitar, resignadamente, que, em nome da segurança, as liberdades em geral vão sendo cerceadas” e “combater a intromissão de poderes globalitários não democraticamente eleitos” são duas outras formas de lutar pela liberdade de expressão, acrescentou, deixando um alerta especial em relação aos “gigantes da Internet”.

Ao lembrar que, em Portugal, o jornalismo é uma atividade profissional “amplamente fiscalizada e escrutinada”, o presidente do grupo Impresa deixou claro que não se pode aceitar que “em democracia o poder político democratcamente eleito condicione o exercício da liberdade de informar”.

Finalmente, disse, esta é uma luta que passa por “lutar pela reabilitação do papel dos media” e por “criar condições para que estes possam desempenhar o seu papel”, cabendo por seu turno aos jornalistas “não se deixarem enredar nas redes sociais”, reposicionando-se e dedicando-se cada vez mais “ao como e ao porquê de cada notícia”.