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Um mistério que os historiadores pretendem não existir

Manuel Rosa

O Expresso publicou um artigo em que Luís Filipe Thomaz tenta negar que Colombo era português ou agente secreto de D. João II. Tenho investigado Colombo desde há 25 anos, publiquei livros em Portugal, Espanha, Lituânia, Polónia e EUA.

O meu primeiro livro publicado em Portugal, em 2006, "O MISTÉRIO COLOMBO REVELADO", tinha 640 páginas e expunha toda a documentação relativa em língua original com tradução para português. Luís Filipe Thomaz não leu este livro, porque no artigo que ele publicou nos "Anais de História de Além-Mar XVI", refere-se sistematicamente a estudos dos séculos XIX e XX mas não menciona os novos estudos publicado no século XXI, como o meu. Luís Filipe Thomaz não leu "O MISTÉRIO COLOMBO REVELADO", mas o Professor Joaquim Veríssimo Serrão leu-o e enviou-me uma carta, a 17 de Setembro de 2007, dizendo: "...já o seu livro, "O MISTÉRIO COLOMBO REVELADO", foi objecto de leitura e releitura, que me convence da força da argumentação que apresenta. Posso dizer que estou de acordo..."

Luís Filipe Thomaz parece não ter lido nada para além daquilo que já muitos escreveram até 1991, como Luís de Lancastre e Távora, Vasco Graça Moura e Luís de Albuquerque, todos escritores sérios, mas que não se deram ao trabalho de rever a documentação. Por isso, Filipe Thomaz ainda hoje comete os mesmos erros. Por exemplo, no seu artigo nos Anais, diz que "A ligação de Colombo a Génova ressalta igualmente do instrumento notarial de 22 de fevereiro de 1498" - infelizmente, Filipe T homaz aceita este documento como verdadeiro, embora esteja hoje provado ser uma fabricação de Baltazar Colombo na década de 1580, quando Colombo estava já morto há 74 anos. Este documento foi rejeitado por um tribunal espanhol como tendo o "mesmo valor que um papel em branco", porque fazia parte de documentos fraudulentos que Baltazar Colombo apresentou em Espanha pra roubar a herança de Colombo aos seus verdadeiros descendentes. Basta ver os "Documentos de la sucesión del ducado de Veragua: – Por Don Baltasar Colombo, contra Don Nuño de Portugal, y consortes, sobre el Almirantazgo de las Indias, Ducado de Veragua, y Marquesado de Jamaica".

Também disse Filipe Thomaz que em Portugal Colombo " ficou trabalhando como agente da casa comercial Centurione e de seus sócios, a Casa Spínola e Paolo di Negro", segundo um "codicilo do seu testamento, de 19 de maio de 1506". De facto este "codicilo" não tem nenhuma data e é outro documento falso apresentado pelo mesmo Baltazar Colombo e rejeitado por um tribunal espanhol por ser "uma manifesta falsidade", sendo que o suposto notário neste codicilo assinou Pedro de Azcoitia enquanto o notário que estava a beira da cama da morte de Colombo a 19 de maio era Pedro de Ennoxedo. E o Codicilo de Pedro de Ennoxedo não tem este documento que Baltazar Colombo apresentou.

A história de um "Colombo genovês" é falsa, começando com a palavra "ginovés" com que descreviam Colombo em Espanha, porque essa palavra apenas queria dizer "estrangeiro" como foi explicado durante o "Pleito con la Corona" iniciado em 1512 por D. Diogo Colon, filho português de Colombo.

A história está a mudar, e o Prof. João Paulo Oliveira e Costa, diretor do Centro de História d'Aquém e d'Além Mar, já entende isso, tal como Manuel Mendonça, presidente da Academia Portuguesa da História e, entre muitos outros, João Abel da Fonseca, vice-secretário-geral da Academia da Marinha e secretário da Classe de História Marítima, vice-presidente da Secção de História da Sociedade de Geografia de Lisboa e presidente do conselho superior do Instituto de Cultura Europeia e Atlântica. Ele afirmou que: "Qualquer historiador lúcido (também se não for lúcido dificilmente poderá ser apelidado de historiador), face ao conhecimento das relações sociais que vigoravam na época, jamais poderá duvidar do dado, para mim mais de que adquirido, de que C(ristóvão)C(olón) TINHA QUE SER ALGUÉM COM ASCENDÊNCIA ELEVADA. Quanto a isto PONTO FINAL. As evidências são tantas que basta enumerá-las para se chegar a essa óbvia conclusão. É assunto com que nem perco tempo".

Eu colhi toda a evidência que prova que Colombo não era apenas português, mas que estava em Espanha como agente secreto de D. João II, que Colombo serviu fielmente em toda sua vida, como serviram os outros espiões que D. João II enviou para Sevilha trabalhar secretamente com Colombo na missão da Índia falsa a ocidente como, por exemplo, Juanoto Berardi e Pedro Vasquez (Saavedra) de la Fontera.