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'Fidget spinner': o neto do pião

O brinquedo foi criado, nos anos 90, mas o mundo teve de girar muito até o fidget se tornar um sucesso

Getty Images

As crianças têm um novo brinquedo que enche os recreios e que já levou a que nos Estados Unidos algumas escolas o proibissem. Mas logo houve os que conseguiram atestados médicos para continuar a brincar. Chama-se fidget spinner e é o brinquedo dos anos 90 que conquista os mais novos

Giram. Giram na mão ou pousados. E cabe a cada um pô-los onde quiser para girar, quer seja numa mesa ou num joelho. São uma febre, mas só fazem isso. Giram e a mais não são obrigados. A criatividade do brinquedo que está a deixar os jovens loucos — e os pais aliviados pelo modesto preço de cinco euros — não é muita e até o próprio nome lhe indica a característica: girar. O fidget spinner é o pião dos tempos modernos e, à semelhança do seu avô, é a estrela dos recreios.

Mas como em todas as histórias, também o fidget tem várias versões. E a acima contada é a que a maioria dos adultos vê. As crianças, que conseguem sempre ver o elefante dentro da jiboia, percebem-lhe um mundo de possibilidades. E os psicólogos que percebem as crianças descobrem no pedaço de plástico com quatro rolamentos uma forma de terapia para acalmar as mais stressadas ou com necessidades especiais. Mas não muito longe da versão da maioria dos adultos. Carregando num botão que faz os rolamentos... Isso, girarem.

Já existe desde os anos 90, mas só passados 20 anos é que a invenção ganhou força. De tal forma que já é proibida em algumas escolas. Isto depois de psicólogos e professores terem percebido que o girar dos rolamentos era não só agradável de ver como também ia dando prazer perceber os seus os movimentos. Torna-se então, até pouco depois da passagem do milénio, um estimulante cerebral que ajuda à concentração e afasta o stresse para crianças com autismo ou hiperativas.

A Portugal chegou este ano pela mão da Available Gadget, empresa da Maia que o distribui no país, numa altura em que o brinquedo é já uma estrela do YouTube. Só na primeira semana vendeu 20 mil unidades, das quais a inventora não recebeu nenhum royalty por ter abdicado da patente em 2005. A decisão podia fazer arrepender qualquer mortal, mas Catherine diz ficar satisfeita o suficiente com os ganhos sociais do objeto. E por poder levar prazer de forma tão simples a tanta gente.

Por cá ainda fica ao critério dos pais deixar as crianças levar, ou não, o brinquedo para as escolas. E os professores decidem se fica nas mochilas durante a lição. Mas no Nevada já é exigido um atestado médico no caso de as crianças exigirem brincar com o spinner na sala de aula.

Simplesmente para girar e brincar ou para afastar o stresse, é uma moda incontornável. E, com o impulso das redes sociais (onde os vídeos dos truques e das mil cores de spinners se multiplicam) parece ter quebrado as fronteiras da idade. O brinquedo deixou de ser um exclusivo das crianças e os universitários já assumem que é uma ajuda preciosa nas maratonas de estudo para os exames. No entanto, quando os adultos começavam também a vê-lo como um indispensável objeto de secretária, acabavam por resistir-lhe. Tratava-se, no final de contas, da diversão dos filhos.

É então que nasce o Fidget Cube. Em vez de três pontas de plástico, um cubo. Em cada uma das faces a possibilidade de se praticar uma atividade diferente que promete afastar o stresse. Considerado pela “Forbes” o essencial de escritório, chegou a Portugal pelas mãos da mesma empresa maiata e está à venda a partir de €10. São modestos os preços para a fama dos brinquedos.

Mas como em tudo o que se pode comprar, há uns mais caros que outros. E há quem se aproveite da fama do brinquedo, e da vontade que os consumidores têm de exclusividade, para fazer render o bocado de plástico. A alguns foi trocado o plástico por aço inoxidável, a outros acrescentadas joias. Por enquanto, os mais caros podem custar até €600, mas a imaginação não conhece limites e a personalização tem um preço. Assim como peso. Quanto mais leve for, mais tempo vai girar, ganhando mais concursos ganha no recreio. E isso também se paga.
Apesar da sua simplicidade, o spinner tem sido alvo de debate e acabou por originar uma dúvida que assola todos os pais (e também a comunidade educativa). Será que se deve dizer basta e obrigar os filhos a parar de girar? Mas e se depois eles voltam para a frente dos ecrãs?