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Pais estão menos proibitivos e apoiam mais os filhos na utilização das tecnologias digitais

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Pais e educadores estão mais atentos mas ainda não têm plena consciência dos riscos a que os filhos estão expostos online. Esta é uma das conclusões de um relatório nacional, lançado esta quinta-feira, Dia da Criança, sobre os usos que as crianças até aos oito anos, classificadas no relatório como geração touch-screen, fazem das tecnologias digitais

Lembra-se do estudo, lançado no ano passado, sobre a utilização que as crianças com menos de oito anos fazem das tecnologias digitais, coordenado pela Comissão Europeia e lançado no Safe Internet Day? Dez famílias em cada um dos 17 países (num total de 170) foram acompanhadas e chegou-se a uma grande conclusão: “O tablet é o novo babysitter”, ou seja, é cada vez mais utilizado para entreter os filhos e deixá-los sossegados enquanto os pais realizam outras tarefas.

Mas o estudo não ficou por aqui. No último ano, os investigadores de cada um dos países voltaram a visitar as mesmas famílias, para perceber a evolução na utilização das tecnologias durante esse período de tempo. Embora o relatório ainda não esteja concluído em todos os países, Portugal já o terminou – e lança esta quinta-feira, no Dia da Criança, o relatório nacional “Crianças (0 aos 8 anos) e Tecnologias Digitais: que mudanças num ano?”

“O mais interessante foi constatar que os pais passaram a ser menos proibitivos e a apoiar mais os filhos na utilização das tecnologias digitais”, explica ao Expresso a investigadora Patrícia Dias, do Centro de Estudos em Comunicação e Cultura da Universidade Católica Portuguesa (UCP) que, juntamente com a professora Rita Brito (Instituto de Educação da Universidade de Lisboa), desenvolveu este estudo. “Vigiam, acompanham, ensinam, usam em conjunto.”

Estão mais atentos e participativos em relação às crianças até aos oito anos, classificadas no relatório como a geração “touch-screen”, que tem uma relação diferente com a tecnologia, com a qual contactam quase desde que nasceram. Apesar disso, pais e educadores ainda não estão totalmente conscientes em relação aos riscos a que os filhos destas idades estão expostos na internet: consideram que estes, por não estarem nas redes sociais, correm poucos riscos online.

Tablet para a brincadeira, computador para o estudo

Embora o tablet continue a ser o dispositivo preferido das crianças, “começa a ficar um pouco relegado para o plano da brincadeira”. Já o portátil, explica a professora da UCP, torna-se “mais importante, sobretudo para pesquisas e trabalhos escolares.”

Uma constatação que está em contraciclo com as vendas de computadores portáteis, que têm vindo a cair em Portugal. Segundo a GFK, no primeiro trimestre de 2017 as vendas de computadores pessoais em Portugal registaram uma perda de 3% em comparação com o período homólogo de 2016. E no quarto trimestre de 2015 verificou-se uma perda de 10,6% face ao trimestre homólogo do ano anterior, de acordo com estimativas a nível mundial.

O aumento da utilização das tecnologias por parte das crianças aumentou de um ano para o outro, sublinha o relatório. “Constatámos que, sabendo ler e escrever com proficiência, as crianças ganham imensa independência e passam a fazer usos muito mais diversificados da internet”, indica Patrícia Dias.

Como se conclui no estudo, os pais enfrentam um novo desafio: “São a primeira geração de nativos digitais que são pais de digitods”. Por outras palavras, são “a primeira geração de adolescentes que contactou com a internet e os telemóveis, que em muitos aspetos se apropriou destas tecnologias, ditou tendências e estabeleceu práticas” e que agora se vê confrontada “com a necessidade de avaliar e decidir sobre situações completamente novas, das quais não há qualquer referência”.

Novos desafios exigem novas regras. E um maior envolvimento de agentes, stakeholders e policy-makers no sentido de influenciar “aspetos tão diversos como a legislação relativamente à segurança digital, a educação para os media e até mesmo na psicologia ou na saúde”.

  • “O tablet é o novo babysitter”

    A maioria dos pais acredita que as crianças com menos de oito anos não correm riscos online, uma vez que ainda não estão nas redes sociais. Mas enganam-se, “pois pensam que a utilização que fazem é muito mais limitada do que é na realidade.” Esta é uma das principais conclusões do estudo coordenado pelo Joint Research Centre da Comissão Europeia, divulgado esta terça-feira, altura em que se celebra o “Safer Internet Day”