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Avião evita colisão com drone quando se preparava para aterrar no Aeroporto do Porto

Fontes do sector aeronáutico garantem que foi “a perícia da tripulação que evitou um grave acidente” com o Boeing 737-800, que tinha descolado de Paris

Um avião que se preparava para aterrar esta quinta-feira no aeroporto do Porto quase colidiu com um drone a 450 metros de altitude, obrigando a tripulação a realizar várias manobras, disseram à agência Lusa fontes do sector aeronáutico.

O incidente ocorreu cerca das 16h40, no momento em que o Boeing 737-800, com capacidade para cerca de 160 passageiros, da companhia TVF, France Soleil, grupo Air France/KLM, estava na aproximação final para aterrar, a 3,5 quilómetros da pista 35, quando um drone se aproximou e o avião teve de efetuar diversas manobras para evitar a colisão, acrescentando as fontes que foi "a perícia da tripulação que evitou um grave acidente" com o Boeing 737-800, que tinha descolado de Paris.

Contactada pela agência Lusa, a NAV Portugal (responsável pela gestão do tráfego aéreo) confirmou o incidente, acrescentando que o mesmo foi reportado à Autoridade Nacional da Aviação Civil e ao Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que também já assumiu ter sido notificado deste incidente.

O diretor do GPIAAF explicou que, como este tipo de ocorrência não é de investigação obrigatória, e como o GPIAAF não dispõe de meios humanos para se dedicar às investigações que não sejam obrigatórias, este incidente não será investigado por este organismo.

O GPIAAF apenas dispõe, atualmente, de dois investigadores para a área aeronáutica.

Nelson Oliveira sublinhou, contudo, que este tipo de incidentes são essencialmente do foro criminal.

O diretor do GPIAAF relatou ainda que, desde o início do ano, este o quarto reporte deste tipo de incidentes que chegaram ao GPIAAF: dois ocorreram em Lisboa e os outros dois, com o de hoje, no Porto.

Em 2016, o extinto Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) - que deu origem ao GPIAAF -- recebeu 31 reportes de incidentes com Sistemas de Aeronaves Pilotadas Remotamente, vulgarmente designados por 'drones', a maioria registados nas proximidades do Aeroporto de Lisboa.

Dados facultados no ano passado pelo então GPIAA à Lusa mostravam que as restantes ocorrências se verificaram noutros aeroportos de Portugal continental e nas ilhas.

Um dos incidentes mais graves aconteceu na tarde de 11 de dezembro, quando um funcionário alertou para a presença de um destes aparelhos sobre uma das placas do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Na ocasião, a situação obrigou ao cancelamento temporário da descolagem de um avião e condicionou durante cerca de meia hora a operação de uma das pistas do aeroporto.

Outro dos reportes foi feito a 21 de dezembro no Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, quando, durante uma revista, os funcionários encontraram na pista um drone que tinha sido avistado a sobrevoar a área de aproximação do aeroporto ao final de tarde do dia anterior. O aparelho nunca foi reclamado por ninguém.