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Número de novos casos de VIH em Portugal é o mais baixo dos últimos 16 anos

MANJUNATH KIRAN/AFP/Getty

Dados mais recentes totalizam 841 novos diagnósticos em 2016, menos 357 do que em 2015. O indicador não era tão baixo desde 1990. Mais de metade (57%) dos novos casos de VIH registaram-se entre heterossexuais. Na Europa, 15% das pessoas que vivem com VIH não sabem que contraíram o vírus, ou seja, uma em cada sete não sabe que está infetada

É preciso recuar mais de uma década para Portugal registar um número tão reduzido de novas infeções pelo vírus da sida. Os dados mais recentes totalizam 841 novos diagnósticos em 2016, menos 357 do que em 2015. O indicador não era tão baixo desde 1990, com 664 novos infetados. As autoridades de Saúde estão satisfeitas com o progresso feito na luta contra o VIH mas pedem refreio no entusiasmo por se tratarem de valores que ainda podem vir a ter atualizações.

"Estamos no bom caminho. Temos menos novos casos do que em anos anteriores mas é precisa cautela na leitura porque são números de 2016, portanto ainda provisórios", explica Isabel Aldir, diretora do Programa Nacional para a Infeção VIH, Sida e Tuberculose da Direção-Geral da Saúde (DGS). No relatório apresentado na tarde desta segunda-feira em Lisboa, pode ler-se que assistiu-se a "uma redução de 73,5% do número de novos casos entre 2000 e 2016" e que a explicação está no "acesso a esquemas terapêuticos mais eficazes e à implementação de políticas e estratégias na área das drogas, nomeadamente a descriminalização do uso de substância ilícitas e programas de redução de riscos e minimização de danos (programa troca de seringas e programa de substituição opiácea)".

57% das novas infeções entre heterossexuais

Das 841 pessoas com o diagnóstico de infeção no ano passado, 73% eram homens. "Continua a verificar-se o predomínio do sexo masculino: por cada três mulheres diagnosticadas existiram sete homens diagnosticados em 2016", é referido no documento. Mais de metade (57%) dos novos casos de VIH registaram-se entre heterossexuais. E como é costume, os grandes meios urbanos são os que mais agregam infetados. No caso, Lisboa, Porto, Setúbal e Faro.

Igualmente mais positivos são os resultados relativos à mortalidade. "Temos um valor muito próximo ao de 2015 mas ainda há espaço para melhorar", garante a médica. Entre 1993 e 2016 morreram 11.008 doentes dos 55.632 notificados como tendo VIH. Isabel Aldir explica que, "no geral, morre-se menos de sida e queremos que ainda se morra menos, por exemplo se as infeções forem detetadas numa fase não avançada da história da doença". E é precisamente neste capítulo que o balanço se torna 'pesado'.

161 casos de sida

No ano passado, dos 841 novos infetados, 161 tinham sida e 665 dos diagnósticos foram tardios, isto é, numa fase avançada da infeção. "Neste momento, preocupa-me como manter a guarda para as novas infeções, fazer um grande esforço para diagnosticar os casos de forma célere e vincular as pessoas aos cuidados de saúde, porque muitas ainda não estão", confessa a responsável da DGS.

Isabel Aldir tem ainda outros receios. "Temo que os números mais reduzidos levem a algum desinvestimento no diagnóstico, que temos de manter célere porque continuamos a não ter identificados todos os casos de infeção, embora estejamos bem: mais de 90% dos infetados estão identificados." Na Europa, 15% das pessoas que vivem com VIH não sabem que contraíram o vírus, ou seja, uma em cada sete não sabe que está infetada.

45.501 portugueses vivem com VIH

Estima-se que em Portugal 45.501 pessoas vivem com o vírus da sida, estando 90,3% já diagnosticadas. Em seguimento estarão 34.391 e destas 31.304 (91,3%) em tratamento. "Com base nos dados disponíveis no Sistema de Informação para a Contratualização e Acompanhamento é possível constatar um aumento do número de doentes em tratamento nos Hospitais do Serviço Nacional de Saúde de 4,6%, em 2016", é referido no relatório.

Durante a sessão para divulgar os números mais recentes da infeção VIH - dando ainda conta de resultados positivos no combate à tuberculose - será apresentado um novo projeto: “Cidades na via rápida para acabar com a epidemia VIH” (Fast Track Cities). Isabel Aldir explica que "é um projeto da ONUSIDA para um maior envolvimento do poder local no combate ao VIH; a infeção tem uma magnitude superior nas grandes cidades e torna-se necessário ter o envolvimento dos municípios, desde logo pelo facilitação que têm, por estarem mais próximos da comunidade".

Cascais, Lisboa e Porto com projeto inovador

As cidades aderentes comprometem-se a concretizar sete objetivos principais: "acabar com a epidemia do VIH/SIDA nas cidades até 2030 e atingir metas ambiciosas até 2020; colocar as pessoas no centro da resposta ao VIH/SIDA; abordar as causas de risco, vulnerabilidades e transmissão do VIH; usar a resposta ao VIH/sida para uma transformação social positiva e construção de sociedades equitativas, inclusivas, ágeis, resilientes e sustentáveis; construir e acelerar respostas adequadas às necessidades locais; mobilizar recursos para uma saúde pública e um desenvolvimento integrado; e unir líderes, trabalhando de forma inclusiva". Por cá vão aderir já Cascais, Lisboa e Porto.