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Morreu histórico do cinema José Manuel Castello Lopes

Francisco Pinto Balsemão, fundador e primeiro diretor do Expresso, recorda o papel que o antigo distribuidor teve para o “bom cinema” e a televisão em Portugal

Morreu um dos nomes históricos da distribuição e exibição do cinema em Portugal. José Manuel Castello Lopes, que herdou do pai a Filmes Castello-Lopes e cofundou o cinema Londres, morreu esta quinta-feira, aos 86 anos. A notícia foi só agora revelada pela Academia Portuguesa de Cinema.

Francisco Pinto Balsemão, fundador e primeiro diretor do Expresso, recorda o papel que o antigo distribuidor teve para o “bom cinema” e a televisão em Portugal. “José Manuel Castello Lopes teve um papel cultural relevante na introdução e distribuição, em Portugal, do bom cinema e na luta contra a censura, que tudo fazia para não nos deixar ver o que de melhor se produzia na Europa e no mundo. Foi também um precursor. Apostou, comigo e com os Valentim de Carvalho e o Paulo Trancoso, no cinema via vídeo, e, mais tarde, e mais importante, na televisão privada. No sector televisivo, foram ele e o irmão Gérard fundadores do projeto inicial da SIC e nossos colaboradores na procura e venda de programas para a novel e primeira estação privada. Com o desaparecimento do José Manuel, perdemos mais um elemento importante do que nos liga a um passado ainda recente, mas que se vai tornando cada vez mais longínquo”, sublinha.

José Manuel Castello Lopes era um dos nomes históricos da distribuição e exibição do cinema em Portugal, que geriu a Filmes Castello Lopes - fundada há cem anos por seu pai -, o cinema Condes e fundou com o irmão, o fotógrafo Gérard Castello Lopes, o cinema Londres, em Lisboa.

Castello Lopes assumiu os comandos da empresa do pai na década de 1950, atravessou tempos de ditadura e de liberdade, da época das grandes salas ao aparecimento dos multiplex, e fez da empresa familiar, durante décadas, a mais relevante distribuidora cinematográfica em Portugal, representando o cinema da MGM e da Twentieth Century Fox.

Foi responsável pela exibição em Portugal, por exemplo, dos filmes "O feiticeiro de Oz" e "E tudo o vento levou", ambos de Victor Fleming, "Roma, cidade aberta", de Roberto Rossellini, ou "2002, Odisseia no espaço", de Stanley Kubrick.

Em 1968 esteve preso durante dois dois dias, nos calabouços da PIDE, a polícia política da ditadura, por causa da exibição do filme "O samurai", de Jean-Pierre Melville.

Em 2014, em entrevista ao semanário Expresso, José Manuel Castello Lopes dizia que o momento mais feliz para o cinema foi o fim da censura - com a Revolução de Abril de 1974 - e a adesão maciça, no ano seguinte, de portugueses ao cinema.

José Manuel Castello Lopes presidiu à Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas e chegou a deter uma extensa rede de salas de cinema pelo país, mas atualmente a marca Castello Lopes Cinemas esteja associada apenas a seis espaços de exibição.

Membro honorário da Academia Portuguesa de Cinema, foi distinguido com um Prémio Sophia de Carreira em 2013.