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Sociedade

Governo pode poupar €100 milhões até 2020 em “genéricos topo de gama”

Nos hospitais portugueses são dispensados cerca de seis fármacos biossimilares, uma espécie de genéricos dos medicamentos biológicos, produzidos a partir de organismos vivos

Foto José Carlos carvalho

Farmacêuticas garantem que até 2020 será possível ter no mercado português 20 genéricos de superfármacos biológicos. Atualmente, são fornecidos seis desses genéricos para doenças como anemias graves, diabetes, artrite reumatoide, esclerose múltipla, cancro, entre outras. No ano passado foram gastos €400 milhões com este tipo de medicamentos, os chamados fármacos biossimilares

Não é um passo em frente, é um salto. O fabrico de medicamentos similares aos modernos fármacos biológicos, produzidos a partir de organismos vivos, a preços mais reduzidos vai melhorar a vida dos doentes e as contas dos hospitais. No mínimo, o Estado conseguirá poupar 20% sempre que um destes fármacos originais perder a patente e surgirem biossimilares, uma espécie de genéricos mais sofisticados.

O presidente da Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (APOGEN), Paulo Lilaia, já fez as contas e garante que entre 2017 e 2020 o orçamento da Saúde pode gastar até 100 milhões de euros a menos em tratamentos biológicos. A poupança só depende da entrada no mercado nacional e da dispensa hospitalar de cerca de 20 versões biossimilares — idênticos aos biológicos originais mas com uma produção mais económica por dispensarem a realização dos testes clínicos. Ou seja, mais de uma dezena de apresentações acima das que hoje são utilizadas no sistema de saúde português.

As estimativas fazem parte de um estudo internacional que será apresentando esta quarta-feira em Lisboa e parecem agradar ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, que marcará presença na iniciativa ao lado dos responsáveis do Infarmed e de vários dos maiores hospitais do país. “O estudo mostra como se cria um equilíbrio que pode ser do interesse do doente, do Estado e dos laboratórios. Em 2016, o Estado gastou 400 milhões de euros em biológicos, que representam um terço da despesa total com medicamentos, e, em teoria, poderia ter gasto menos 20%”, afirma Paulo Lilaia.

O ministro está atento. “É inevitável que o Ministério da Saúde recorra cada vez mais a um maior número de medicamentos similares - e já falaram connosco”, adianta o responsável da APOGEN. A conversa teve como objetivo passar a mensagem de que “o Governo está empenhado em ter o maior número possível de biossimilares e em estimular a sua utilização”, quase exclusivamente nos hospitais.

Em Portugal são dispensados cerca de seis fármacos biossimilares para doenças como anemias graves, diabetes, artrite reumatoide, esclerose múltipla, cancro, entre outras. “Os biológicos ou os biossimilares têm grande interesse terapêutico para várias doenças e um impacto muito relevante na vida dos doentes”, sublinha Paulo Lilaia.

O presidente da APOGEN reconhece que “um doente tratado com medicamentos biológicos pode custar milhares de euros por ano” ao erário público, e pode ter de os tomar durante toda a vida, mas garante que em Portugal estes fármacos, incluindo os biossimilares que vão surgindo, “só são utilizados quando o benefício é evidente”. Por isso, em Portugal e no resto da Europa a divulgação dos genéricos dos ‘medicamentos vivos’ serve o objetivo de “conseguir que a escolha seja feita sempre de uma forma absolutamente informada.”