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Oceanos sem plástico em exposição e debate no Pavilhão do Conhecimento

A ONU diz que 80% da poluição marinha nas 12 maiores regiões do Mundo é causada por resíduos plásticos

Em meados do século pode haver mais plástico do que peixe nos oceanos. Micropedaços derivados do petróleo inundaram os mares do planeta. O seu impacto é tema de uma exposição e de um debate com portas aberta aos cidadãos, esta quarta-feira, no Pavilhão do Conhecimento

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Um “Oceano sem Plástico” é o título da exposição que estará aberta ao público no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa a partir desta quarta-feira. Produzida pelo Aquário Nacional da Dinamarca e pela organização não-governamental Plastic Change, a mostra interativa (já exibida em Copenhaga, na Dinamarca, e em Tallinn, na Estónia) procura chamar a atenção das pessoas para a poluição marinha com microplásticos.

“Cerca de 80% do lixo oceânico provém dos hábitos de consumo diários”, lembra a Comissão Europeia.

Desde meados do século XX e até agora, a produção anual de plástico passou de perto de duas toneladas para mais de 300 milhões. A ONU estima que entre oito e 12 milhões de toneladas de resíduos de plástico acabam nos oceanos todos os anos, contribuindo para a formação de ilhas de plástico. Já se identificaram pelo menos cinco destes giros oceânicos, sendo o do Pacífico, com uma dimensão do tamanho de França, visível do espaço. Estudos científicos apontam para que em 2050 haja mais plástico do que peixe nos mares.

O tema é o mote para um “Diálogo com os Cidadãos” – organizado pela representação da Comissão Europeia em Lisboa e pela Ciência Viva que terá lugar também no Pavilhão do Conhecimento, durante a manhã de quarta-feira. Para responder às dúvidas dos cidadãos e debater as prioridades nacionais e europeias para tornar os oceanos mais limpos e sustentáveis, o encontro conta com a presença de João Aguiar Machado, Diretor-Geral dos Assuntos do Mar e da Pesca, da Comissão Europeia, Fausto Brito e Abreu, Diretor-Geral de Política do Mar, e Tiago Pitta e Cunha, Presidente da Comissão Executiva da Fundação Oceano Azul.

“O plástico é um material útil mas, se não o mantemos em circulação na economia, acaba a flutuar no mar, tornando-se um perigo para os seres humanos e para os animais”, sublinha João Aguiar Machado, diretor-deral dos Assuntos do Mar e da Pesca, da Comissão Europeia. Num comunicado enviado às redações, o responsável europeu lembra que “hoje em dia, há mais pessoas a trabalhar na energia eólica em alto mar do que pescadores” e que “Portugal está na vanguarda do desenvolvimento da economia marítima”, já que “o crescimento azul segue o modelo europeu, ambientalmente sustentável e que garante boas condições de vida e de trabalho e normas sociais elevadas”.

O debate será seguido de um “piquenique sustentável” na Praia da Mata, na Costa da Caparica. Os participantes são convidados a levar o seu próprio farnel de preferência sem embalagens descartáveis, e a colaborar numa recolha de microplásticos, em conjunto com a Associação Bandeira Azul e a Associação Portuguesa de Lixo Marinho.

Dois mil milhões para estudar os oceanos

A União Europeia e os seus Estados-membros "gastam cerca de dois mil milhões de euros por ano em investigação marinha com o objetivo de criar uma rede mundial de dados marinhos aberta a todos", indica a Comissão Europeia. Este investimento também visa enfrentar "a ameaça dos microplásticos", colmatando "as lacunas de conhecimento sobre o tema".

Há quatro projetos que estudam os impactos dos microplasticos no meio marinho em curso na UE, que contam com verbas do programa Horizonte 2020. Portugal é um dos 10 países ligado a estes projetos, designadamente ao PARRISE, SEACHANGE e MARISCO. Um dos objetivos é criar uma literacia oceânica e sensibilizar as pessoas para o problema.

“Não sabemos a real extensão do problema, mas sabemos que o plástico se vai decompondo em pedacinhos cada vez mais pequenos (por ação do sol, da água e da oxidação) e que acaba por entrar na cadeia alimentar”, reitera Ana Noronha, diretora executiva da Ciência Viva. Por isso, sublinha a importância de alertar as pessoas para o problema, uma vez que, defende "cada um, nas ações do dia a dia pode fazer a diferença”. Os pequenos gestos, lembra, passam por evitar usar produtos de higiene pessoal (pastas de dentes, champôs ou exfoliantes) que contenham microesferas de plástico ou deixar de usar pratos, copos ou talheres descartáveis.