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Expresso

Sociedade

Por amor aos refugiados

Charles Platiau

Os famosos cadeados dos namorados, que enfeitam as pontes de Paris, vão a leilão este sábado. O objetivo é recolher entre €100.000 e €150.000 para ajudar os refugiados

O amor eternizado pelos namorados nas pontes de Paris vai transformar-se em amor ao próximo, na forma de solidariedade para com os refugiados. Este sábado, 165 lotes de cadeados provenientes do Pont des Arts vão ser leiloados em Paris e os fundos recolhidos revertem a favor de associações de apoio aos refugiados. Tudo começou em maio de 2016, quando a câmara de Paris ordenou a retirada dos cadeados da estrutura da ponte, próxima da catedral de Notre Dame, por motivos de segurança. O peso das centenas de cadeados colocados por casais de namorados – que pesavam 70 toneladas – punha em risco a segurança da estrutura.

Vista do Pont des Arts, em Paris, de onde foram retiradas 70 toneladas de cadeados no ano passado que punham em causa a estrutura da ponte. Este sábado, vão ser leiloados 165 lotes

Vista do Pont des Arts, em Paris, de onde foram retiradas 70 toneladas de cadeados no ano passado que punham em causa a estrutura da ponte. Este sábado, vão ser leiloados 165 lotes

Jacky Naegelen

Foram retirados 27 corrimãos e várias grades, com extensões de um a três metros, que concentram cadeados com nomes de várias nacionalidades, numa espécie de mural europeu do amor. "São um símbolo da cidade", afirma Nicole Langé, que colocou também, com o marido, um cadeado há uns anos e gostava de ficar com um dos 165 lotes para oferecer aos filhos, a viver em Itália.

A venda solidária, que começa às 15h deste sábado, inclui lotes que oscilam entre os €100€ e os €10.000. Este leilão, o primeiro do género no mundo (apesar de haver várias cidades europeias onde este hábito é praticado), reverte integralmente para a caridade. Três associações serão recetoras das verbas: Solipam, que se encarrega de ajudar as refugiadas grávidas; Emmaus Solidarité, que fornece centros de acolhimento; e Armée du Salut, que há 130 anos luta contra a exclusão social.

Charles Platiau