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Gasóleo para quê?

O Kia Niro consegue atingir níveis de consumo que roçam o inacreditável graças à eficiência da tecnologia híbrida e traz um nível de equipamento capaz de envergonhar carros que custam mais 10 ou 20 mil euros

Um dos melhores carros que já testámos! Talvez o melhor em termos de qualidade/preço. Um início de texto que demonstra claramente como ficámos convencidos com este Kia. Está longe de ser perfeito, mas o Niro demonstra bem como é possível desenvolver um automóvel tecnologicamente muito sofisticado e generoso q.b. em espaço, conforto e performance, a um preço acessível a muitas famílias portuguesas. E com a tranquilidade adicional que dá uma garantia de fábrica de sete anos.

Sabíamos de antemão que o Niro utiliza a mesma plataforma do Hyundai Ioniq híbrido, um carro que nos conquistou pela eficiência e pela tecnologia. Mas o Niro não só custa significativamente menos, muito graças a uma campanha de lançamento que retira 2500 euros ao preço (válida até ao final do verão), como também tem um aspeto mais em linha com as tendências atuais.

SUV ou carrinha?

Ambos. Tem linhas típicas de SUV, mas é mais baixo que a maioria. Tanto na altura total, como na altura ao solo. Um design que ajuda a manter os consumos baixos. Aliás, ficámos surpreendidos com a média global que atingimos: 4,8 litros aos 100 km marcava o computador de bordo quando devolvemos o carro, depois de quase 300 km de teste, que incluiu cerca de 100 km em autoestrada a uma média entre 90 a 120 km/h. Com o Ioniq fizemos 4,7l l/100 km, o que, na prática, resulta quase num empate técnico. Esperávamos uma diferença maior devido à aerodinâmica extra do Hyundai. E, de facto, a velocidades de autoestrada, o Niro gasta um pouco mais mas, num perfil de utilização mais urbano, a diferença é muito reduzida.

E atenção que este consumo não é conseguido graças à utilização de um motor sem alma. Não é que o 1.6 seja explosivo – o Niro não tem comportamento desportivo – mas o motor elétrico está lá para ajudar quando é preciso fazer uma ultrapassagem ou arrancar mais depressa.

Ainda mais importante, motor elétrico e a caixa de dupla embraiagem permitem uma continuidade entre escalonamentos. Não sentimos as mudanças, o que aumenta o conforto e a capacidade de resposta. Como referimos aquando da análise do Ioniq híbrido, o sistema híbrido é tão eficiente que se não fosse pelo ruído do motor e pelas indicações gráficas que surgem no painel, nem nos aperceberíamos da entrada em funcionamento do motor de combustão. E, também como no Ioniq, o sistema desliga muitas vezes este motor para poupar combustível, mesmo quando circulamos em autoestrada a velocidades acima dos 100 km/h. Ainda assim, o computador que gera o apoio do motor elétrico é conservador na gestão da bateria já que raramente vimos o nível de carga a baixar dos 50%. Deste modo há a garantia que há sempre carga numa situação em que o condutor precise de potência extra.

Podia-se pedir um modo que permitisse ao condutor optar por uma maior utilização do sistema elétrico, mas esse modo não faz grande sentido porque, infelizmente, não é possível carregar a bateria com uma fonte elétrica extra. Opção que vai estar disponível na versão plug in, com mais autonomia em modo totalmente elétrico, que está agendada para setembro – em 2018 deverá chegar o Niro totalmente elétrico.

Não é preciso ligar qualquer cabo para ligar o smartphone ao sistema de infoentretimento a bordo. Nem sequer para carregar se o smartphone suportar carregamento sem fios

Não é preciso ligar qualquer cabo para ligar o smartphone ao sistema de infoentretimento a bordo. Nem sequer para carregar se o smartphone suportar carregamento sem fios

Já tem um género de piloto automático

De série, o Niro inclui um ecrã tátil central com acesso a várias apps de infoentretenimento, incluindo navegação e reprodução de conteúdos multimédia. Como é típico da marca, há suporte para Android Auto e Apple CarPlay, o que valoriza muito a experiência quando a usar apps que, apesar de correrem no smartphone, podem ser apresentadas no ecrã tátil do carro. Esta opção também significa que não estamos limitados as funcionalidades fornecidas. Como também tem sido habitual na Kia, o sistema de infoentretenimento pode ligar-se à Internet através de Wi-Fi. Só temos de criar um hotspot no smartphone e fazer a ligação.
Infelizmente, o ecrã tátil é um pouco mis pequeno do que gostaríamos. Mas, por outro lado, há botões de aceso direto, incluindo comandos no volante, que evitam a utilização da componente tátil e tornam o sistema mais seguro.

No que à segurança diz respeito, o sistema de manutenção na faixa de rodagem (LKAS) vem de série. Este sistema é capaz de manter o carro na faixa de rodagem quando as linhas que delimitam as faixas são bem visíveis e quando as curvas são pouco apertadas. Experimentámos e verificámos que o LKAS sistema funciona bem em vias rápidas e autoestradas, mas é muito limitado em estradas secundárias. Apesar de ser capaz de controlar a direção do caro de modo completamente autónomo, o objetivo do LKAS não é substituir o condutor, mas sim aplicar alguma força no volante para evitar que o condutor saia da faixa de rodagem acidentalmente. Aliás, se retirarmos as mãos do volante, o sistema desativa-se algum tempo depois de apresentar o aviso que o condutor deve agarrar o volante.

Praticamente tudo é fornecido de série, incluindo a útil câmara traseira para ajudar em manobras de marcha atrás. O Pack Safety é um dos poucos opcionais disponíveis. Este “pacote” inclui travagem autónoma de emergência (evita choques frontais), cruise control adaptativo (mantém automaticamente a distância de segurança para o veículo que circula em frente), detetor de ângulo morto nos espelhos e alerta de tráfego à retaguarda (por exemplo, deteta a aproximação de veículos quando a sair de locais de estacionamento em marcha atrás). Considerando que este pack custa 1500 euros, não temos qualquer dúvida em recomendar esta opção que torna bem mais difícil ter um acidente com o Kia Niro.

O suporte para Apple CarPlay e Google Auto permite mostrar no ecrã central apps que são executadas no smartphone e o wireless charging permite carregar smartphones compatíveis sem recorrer a cabos

O suporte para Apple CarPlay e Google Auto permite mostrar no ecrã central apps que são executadas no smartphone e o wireless charging permite carregar smartphones compatíveis sem recorrer a cabos

A bordo

Além do ecrã tátil, há um ecrã muito informativo em frente ao condutor, entre o velocímetro e o indicador de potência, que apresenta uma grande variedade de informação, como instruções de navegação, computador de bordo, controlo multimédia e opções de segurança. Não é difícil encontrar uma boa posição de condução, até porque o banco do condutor está equipado com motores elétricos.

Apesar de o Niro estar integrado na categoria dos SUVs compactos, o espaço a bordo é superior ao que habitualmente encontramos nesta categoria. Aliás, consideramos que, neste aspeto, o Niro está mais próximo de uma carrinha familiar do que de um SUV compacto. Isto porque a marca coreana deu preferência à habitabilidade para os ocupantes. Os bancos de trás têm espaço para transportar adultos confortavelmente mesmo quando os bancos da frente já estão ocupados por duas pessoas relativamente altas. A mala não impressiona em termos de comprimento, mas acaba por oferecer um volume de carga generoso q.b. que pode passar para enorme se rebatermos a fila traseira.

Os bancos são cómodos, com mistura de tecido e pele, e a suspensão tem um bom equilíbrio entre rigidez e conforto. O único aspeto que temos a criticar é o isolamento acústico, que deixa passar quase todos os ruídos do exterior para o interior. Ouve-se demasiado bem o rolamento e quase toas as imperfeições da estrada.

Receita certa

O Kia Niro convenceu-nos. É um carro profundamente marcado pela tecnologia, a começar no sistema híbrido que demonstrou grande eficiência. Não é difícil conseguir consumos médios abaixo dos 5 l/100 km, o que vem demonstrar uma vez mais que os híbridos são uma alternativa muito válida aos Diesel. O Niro consegue facilmente ter custos de combustíveis idênticos a um Diesel equivalente graças ao sistema elétrico. E é este sistema que também permite a este Kia ter o binário extra que estamos habituados a sentir nas motorizações a gasóleo. E tudo isto com custos de manutenção e imposto de circulação mais baixos.
Por outro lado se procura um verdadeiro SUV, que permita algumas aventuras fora de estrada, este não é o carro a escolher devido à baixa altura ao solo. E também não é um carro capaz de oferecer sensações fortes ao volante, apesar de ter uma dinâmica equilibrada e um comportamento previsível.

O preço é uma agradável surpresa. Mesmo com o pack tecnológico extra dedicado à segurança, o Niro ultrapassa por muito pouco os 30 mil euros. Sabemos que demasiado para muitas famílias portuguesas, mas fica bem abaixo dos concorrentes tecnologicamente mais próximos.