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E ao segundo dia, Francisco encontrou-se com Costa

José Carlos Carvalho

O Papa começou o segundo e último dia em Fátima com um encontro com António Costa. De seguida proferirá a única homilia desta visita

A agenda oficial do Papa Francisco em Fátima começou este sábado às 9h10, com o encontro com o primeiro-ministro na Casa de Retiro de Nossa Senhora do Carmo, no recinto do Santuário, onde está hospedado. No encontro, António Costa expressou a vontade de Portugal de colaborar com o Papa na promoção dos valores da proteção dos mais frágeis, como o acolhimento aos refugiados.

Após a breve conversa, António Costa detalhou aos jornalistas os temas que houve tempo para abordar: "O apoio que temos dado aos refugiados, a grande preocupação que o Santo Padre tem revelado relativamente à necessidade de desenvolvimento do continente africano e as responsabilidades que Portugal tem nessa matéria, a colaboração para a paz em todo o mundo e a construção quer ao nível das Nações Unidas, quer ao nível sobretudo da União Europeia, de novas uniões de valores para defesa da dignidade da pessoa humana".

Foi às 9h35 que Francisco deixou as quatro paredes para se dirigir à Basílica de Nossa Senhora do Rosário, com o fim de visitar o túmulo dos pastorinhos Francisco e Jacinta. Primeiro, o cumprimento ao sacerdote português mais idoso, o padre Joaquim Pereira da Cunha, que tem 104 anos e esperava Francisco numa cadeira de rodas junto à Basílica.

Ainda antes de chegar à Basílica, um pequeno atraso: uma pessoa queria agarrar Francisco e falar com ele, que respondeu, assentindo com um sorriso. Depois avançou para junto dos túmulos, parando durante cerca de cinco minutos para rezar no interior da sala, em silêncio. Após a oração, mais sorrisos, preparando-se para se dirigir ao altar onde vai proferir a sua única homilia nesta visita e dar a bênção aos 350 doentes inscritos e sentados na colunata norte.

Em frente ao altar, a multidão impacienta-se. O primeiro aplauso do dia aparece com o andor que transporta a imagem da Virgem, já com o recinto cheio e a barreira humana a rodeá-lo por todos os lados. Uma bandeira com as cores da Venezuela que pede "paz" chama as atenções. Quem a segura é José Antonio dos Santos, de 42 anos, que vive agora em Barcelona porque se viu obrigado a deixar a Venezuela: "Não há comida, não há medicamentos, não era o país que queria para mim". Com a mãe doente e a enviar remédios para a família que deixou para trás, esclarece a razão para estar aqui: "Se os poços de petróleo estivessem em risco, os Governos já tinham ajudado. Vim pedir ajuda a quem sei que não vira as costas. Este é o Papa certo".

No céu, um helicóptero sempre presente controla toda a área – um dos que na sexta-feira as pessoas fotografavam e cumprimentavam com expectativa, pensando ser o que transportaria Francisco.