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Simão tem uma doença “raríssima”: é o caso número 29 descoberto no mundo. Vai ser abençoado pelo Papa

LUCILIA MONTEIRO

Simão é dos 350 doentes que anseiam há meses por receber a benção do Papa Francisco, este sábado

Mariana Lima Cunha

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Jornalista

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

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Fotojornalista

As macas colocadas à entrada do Posto de Socorros, junto de uma das saídas do Santuário de Fátima, servem para mais do que transportar doentes: elas estão ali para dividir a fila em duas – uma para quem se inscreve para se sentar na colunata para doentes que o Papa vai abençoar este sábado, e outra para quem precisa efetivamente de cuidados de saúde mais imediatos.

A transportar quem se sente mal no Santuário está uma equipa de 46 escuteiros, dividida entre os postos permanentes no posto de socorros e por várias áreas do Santuário, com cinco macas distribuídas pelo recinto. “Hoje tem sido um dia preenchido. As pessoas entram com apoio da nossa parte, às vezes transportadas em macas, porque se alimentaram menos bem, estão cansadas, com a emoção de chegar a este local… Há quebras”, explica Luís Rodrigues, delegado do Corpo Nacional de Escutas junto do Santuário. “Na fila da esquerda estão doentes para conseguir um lugarzinho na colunata”. As primeiras chegaram logo às 8h para levantarem as acreditações, que foram pedidas há meses e aprovadas após a avaliação de uma junta médica.

Rita, de 39 anos, chegou à fila mais tarde – afinal, tem de cuidar do filho, de 2 meses, e da filha com 2 anos que sofre de encefalopatia epilética infantil e está inscrita para a bênção. “No ano passado estive em Fátima e soube que poderia participar na bênção eucarística. Inscrevi-a no ano passado.” Com a menina só pode ir um acompanhante e o marido de Rita ficou no carro, que teve direito a um dístico para estacionar perto do Santuário: “É que este carro não tem capote e ela não pode apanhar chuva nem frio”.

Também por causa do filho vieram Cláudia Fernandes, de 36 anos, e Paulo Sampaio, de 43, da Trofa, onde vivem. “O nosso filho Simão tem uma doença raríssima chamada ‘síndrome mioclónica precoce’. Quando isto foi descoberto, ele era o caso número 29 no mundo todo”, explicam. Hoje, o menino tem seis anos – e embora a inscrição tenha sido feita há “mais de meio ano”, só na segunda-feira tiveram a confirmação. “Acredito que Deus não dá nada disto, as coisas acontecem pura e simplesmente. Mas dá-nos a força para estar com aqui, hoje e sempre com ele.”

Os elogios ao Papa não faltam na fila que vai avançando lentamente: “Acho que até quem não é crente gosta dele! Tem qualquer coisa de mágico”, garante Cláudia. Mais à frente na fila, há quem concorde: “Este Papa é como o nosso Presidente da República”, explica Manuel Silva, de 51 anos. “Inspiram confiança a muita gente.” Por isso, e apesar de todos os anos ir a Fátima no dia 13 de outubro, este ano decidiu trazer a esposa para a bênção que será dada pelo Papa: “A minha esposa sofre de esclerose lateral amiotrófica, não se movimenta. E esta é uma oportunidade. Mal entro aqui dentro, isto traz-me paz”.