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É oficial: a invasão a Fátima já começou

Apitos ininterruptos da GNR na rotunda dos Pastorinhos, filas na estrada nacional em direção a Fátima e também à entrada dos cafés, onde os peregrinos se acotovelam por uma torrada. A época alta da fé chegou esta sexta-feira de manhã à Cova da Iria

"Está cá uma confusão...". A expressão sai em conversa num grupo de peregrinos de Fernão Ferro, que se juntam à porta da Casa do Benfica. Ali em frente, na rotunda dos Pastorinhos, os militares da GNR apitam quase ininterruptamente às centenas de condutores e peões que chegam a Fátima na manhã de chuva intermitente desta sexta-feira.

Algumas das entradas para a Cova da Iria foram encerradas logo às 9h00 com grades de ferro, por motivos de segurança, lançando a confusão em automobilistas sem plano b para estacionarem. Pacientemente, os militares explicam que ali só entram viaturas de emergência ou autocarros de excursões devidamente autorizados. O terrorismo anda na cabeça de todos e dali a poucas horas o Papa Francisco entra no Santuário a bordo de uma viatura aberta.

Ainda assim, é possível conduzir em algumas entradas laterais em Fátima, embora estacionar, pelo menos gratuitamente, seja quase impossível. Há tabuletas a anunciar o aluguer de quintais mas o mais seguro é deixar o carro nos parques oficiais ainda disponíveis, mais longe do centro. Ou em caso de desespero, à beira de caminhos de terra batida ainda mais afastados.

As estradas que dão acesso a Fátima encontram-se congestionadas e as ruas da vila não estão menos confusas. Há filas para entrar em alguns cafés, como o "Milano". Há esperas demoradas nas lojas de souvenirs, como a "I Love Fátima". E já há impaciência, que tende a crescer nas próximas horas, entre clientes que esperam, e se acotovelam, para ter a torrada servida em poucos minutos ou pelo seu terço do centenário das aparições, o best-seller em Fátima.

Ao final da manhã, o Santuário já estava bem composto. Milhares de pessoas assistem às primeiras cerimónias em Fátima. Ao contrário do que acontece nos estabelecimentos comerciais, os fiéis mostram toda a paciência do mundo enquanto esperam pela chegada do Santo Padre.

A presença da GNR já se faz sentir com maior intensidade: há mais operacionais do que no dia anterior, sobretudo em redor do perímetro do Santuário onde vários militares com detetores de metais revistam os peregrinos nas entradas principais do recinto.