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Sociedade

Greve dos médicos com idêntica adesão no segundo dia

paulo vaz henriques

Segundo o Sindicato Independente dos Médicos, a adesão ao segundo dia de greve está a ser muito semelhante à do primeiro, “talvez até um pouco superior” aos 90% da véspera

A greve dos médicos continua esta quinta-feira a registar uma adesão na ordem dos 90%, segundo um dos sindicatos que convocou a paralisação nacional de dois dias, iniciada na quarta-feira.

Segundo o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, a adesão ao segundo dia de greve está a ser muito semelhante à do primeiro, "talvez até um pouco superior".

Vários blocos operatórios continuam encerrados, nomeadamente em grandes hospitais como Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, Hospital de São João no Porto, Hospital de São José e de Santa Maria, em Lisboa, ou Hospital de Ponta Delgada, de acordo com o SIM.

Roque da Cunha voltou a apelar ao ministro da Saúde para que o Governo retome as negociações com os sindicatos. Contudo, até ao momento ainda não foi marcada qualquer reunião.

"Nós reafirmamos a vontade de retomar negociações. Estamos disponíveis a partir já de sexta-feira", disse à agência Lusa o secretário-geral do SIM, um dos dois sindicatos que convocou a greve nacional de médicos, a par com a Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

O secretário-geral do SIM enaltece ainda o facto de quase todos os partidos políticos terem manifestado compreensão com a greve dos médicos, "com muitos a indicarem que a paralisação pretende fortalecer o Serviço Nacional de Saúde".

Consultas e cirurgias programadas estão a ser os serviços mais afetados nestes dois dias de greve, com os profissionais a cumprirem obrigatoriamente os serviços mínimos, que contemplam as urgências, quimioterapia e radioterapia ou transplantes.

Limitação do trabalho suplementar a 150 horas anuais, em vez das atuais 200, imposição de um limite de 12 horas de trabalho em serviço de urgência e diminuição do número de utentes por médico de família são algumas das reivindicações sindicais.

Os sindicatos também querem a reposição do pagamento de 100% das horas extra, que recebem desde 2012 com um corte de 50%. Exigem a reversão do pagamento dos 50% com retroatividade a janeiro deste ano.

O Ministério da Saúde tem dito que não negoceia sob pressão e considera-se empenhado no diálogo com os sindicatos médicos.