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Adeptos revistados no Marquês, garrafas proibidas: o que muda e não muda no guião da PSP para a festa do Benfica

Foto António Pedro Ferreira

Haverá “alguma alterações de pormenor” no plano da polícia para evitar problemas na festa do Benfica, que se prepara para festejar a conquista de mais um campeonato. E enquanto a PSP prepara mais uma operação no Marquês, a GNR organiza a segurança, juntamente com outras forças policiais e o Exército, no maior evento dos últimos anos em Portugal: a visita do Papa Francisco a Fátima

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A festa do título já está marcada na agenda da PSP. É mais do que provável que os benfiquistas saiam à rua pelo quarto ano consecutivo este sábado, numa altura em que o Papa Francisco já estará de volta ao Vaticano, depois da visita a Fátima.

Para que não se repitam os confrontos violentos entre os adeptos e a polícia como os que ocorreram no Marquês de Pombal em maio de 2015, a PSP quer seguir o guião do ano passado, “em que tudo correu bem”, mas com “algumas alterações de pormenor”, assegura o subcomissário Hugo Abreu, porta voz do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP.

Tal como em 2016, está prevista a colocação de pontos de revista em locais específicos que dão acesso à praça Marquês de Pombal, mas possivelmente em locais diferentes aos das cinco zonas de revistas durante a celebração do ‘tri’. Será nesses locais que os agentes da PSP irão revistar os adeptos de modo a evitar que entrem no centro dos festejos com garrafas e latas de bebidas. “Os líquidos serão despejados para dentro de copos de plástico”, acrescenta a mesma fonte do Comando Metropolitano de Lisboa.

O objetivo é evitar que garrafas e latas sejam arremessadas por adeptos mais exaltados, como aconteceu na noite de má memória há dois anos em Lisboa.

josé caria

Mal termine o jogo do Benfica e o Vitória de Guimarães, deverão ser fechadas algumas estações do metro mais próximas (em 2016 foram encerradas as do Marquês de Pombal e do Parque) e condicionadas as artérias que dão acesso à rotunda do Marquês, onde é previsível a concentração de centenas de milhares de pessoas. No interior do perímetro, as lojas podem ser encerradas, à imagem do ano anterior.

A PSP, que já teve reuniões preparatórias com o clube e com a autarquia lisboeta, vai revelar todos os pormenores da operação esta quinta-feira, em conferência de imprensa. Uma coisa é segura: não divulgará, como é habitual, o número de operacionais que estarão envolvidos, nem pormenores sobre o dispositivo. Mas no último ano estiveram presentes várias centenas de elementos do corpo de intervenção e das equipas de intervenção rápida, algo que não deverá mudar muito sábado à noite.

Em 2015, as imagens do ecrã gigante colocado no Marquês de Pombal — que mostraram por diversas vezes as agressões de um subcomissário da PSP de Guimarães a uma família de benfiquistas à saída do estádio D. Afonso Henriques — terão servido de rastilho para as cenas de violência que se prolongaram na noite dos festejos desse ano. Daí que no ano passado, por razões de segurança, os organizadores do evento tenham optado por não colocar o ecrã gigante (até porque nessa tarde havia a hipótese, ainda que remota, de o Sporting poder ser campeão). Este ano, porém, ainda não certezas sobre se será ou não montado o ecrã junto ao Marquês.

nuno botelho

GNR em força em Fátima

Enquanto a PSP prepara mais uma operação no Marquês, a GNR organiza a segurança, juntamente com outras forças policiais e o Exército, no maior evento dos últimos anos em Portugal: a visita do Papa Francisco a Fátima.

Os camiões TIR vão ser alvo especial de atenção por parte dos militares da GNR, presentes em larga escala não só na Cova da Iria como junto às fronteiras, que serão repostas entre os dias 10 e 14.

Os atentados cometidos em Nice, Berlim, Boston e Estocolmo nos últimos meses, que no total mataram 100 pessoas, obrigam a uma vigilância mais apertada aos veículos pesados que circulem junto ao Santuário, que deverá reunir perto de um milhão de peregrinos. “Estamos preparados para as novas ameaças”, diz ao Expresso o major Bruno Marques, porta-voz da Guarda.

Todos os acessos ao centro da Cova da Iria serão barrados com as chamadas “New Jerseys”, barreiras separadoras de betão usadas normalmente como separadores das vias rodoviárias. Algumas já estão colocadas nos principais parques de estacionamento junto à povoação.

Desta forma, mesmo que um condutor de um veículo pesado ultrapasse os postos de controlo policial, que vão ser vigiados no mínimo por dois militares da GNR, será travado por estes blocos de betão.

É a segunda vez que este tipo de defesa antiterrorista será utilizado em Portugal. A primeira aconteceu na última da passagem de ano, quando a PSP colocou “carris metálicos e carris antiveículos” no perímetro da praça do Comércio, em Lisboa, onde milhares de pessoas festejaram o réveillon. Já na Avenida dos Aliados, no Porto, foi utilizado este tipo de barreiras de betão.

No entanto, apesar do reforço de segurança tanto dessa vez como agora, o nível de ameaça terrorista não foi alterado e mantém-se moderado.