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Portugal vai ter mais 53 mil vacinas para hepatite A até ao fim do ano

Francisco George, diretor-geral da Saúde

António Pedro Santos / Lusa

Direção-geral da Saúde garante que vacinas em stock são suficiente e confortável para lidar com o atual surto da doença

Portugal vai ter até ao fim do ano mais 53 mil vacinas para a hepatite A, a juntar às cerca de 11 mil que ainda existem atualmente.

O anúncio foi feito esta segunda-feira em conferência de imprensa pelo diretor-geral da Saúde, Francisco George, que considerou que o país terá um stock de vacinas que será suficiente e confortável para lidar com o atual surto da doença, que ocorre também em vários países europeus.

Estas 53 mil doses de vacinas chegarão de forma faseada até ao final do ano e juntam-se às 11 mil que há atualmente disponíveis.

Assim, Portugal fica com cerca de 64 mil vacinas, cerca do dobro do que é administrado geralmente num ano.

Havia no início do atual surto de hepatite A cerca de 12 mil vacinas, das quais foram administradas até agora cerca de 1.200.

Têm sido administradas desde abril a um ritmo médio de 48 por dia, sendo que 97% foram dadas na região de Lisboa e Vale do Tejo, aquela que concentra maior número dos 242 casos da doença até hoje.

Cerca de 60% foram administradas a homens que têm sexo com homens, 38% a viajantes e 2% a contactos próximos (íntimos ou familiares) de doentes com hepatite A.

Para incentivar e reforçar a vacinação, as autoridades de saúde criaram uma unidade móvel (uma ambulância do INEM) que durante algumas noites e madrugadas procurou vacinar a população com maior risco (homens que fazem sexo oro-anal com homens).

Foram vacinadas na zona do Bairro Alto, nesta unidade móvel, 314 pessoas em cinco noites.

A responsável pelo Programa das Hepatites Virais da Direção-geral da Saúde (DGS), Isabel Aldir, diz que no futuro próximo as autoridades querem continuar o reforço da vacinação, antes dos festivais de verão e de encontros da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) em Portugal e em Espanha.

Francisco George voltou a mostrar preocupação com estes encontros, indicando que até ao fim deste mês as autoridades vão preparar um "pacote de proteção" para prevenir a infeção a tempo dos festivais de verão.

Embora não tenha esclarecido em que consistirá esse "pacote de prevenção", Francisco George indicou que conterá material informativo no que se refere à prevenção das hepatites A e B e de outras doenças sexualmente transmissíveis, bem como a medidas de higiene pessoal.

Sobre a progressão do surto, o diretor-geral mostrou-se otimista quanto à desaceleração dos casos.

No que respeita ao reforço das vacinas, Hélder Mota Filipe, do conselho diretivo da Autoridade do Medicamento (Infarmed), disse que as 53 mil doses são provenientes de laboratórios da Europa mas também da América do Norte.

O reforço das vacinas vai permitir alargar os critérios de administração aos viajantes, até porque a partir de junho as farmácias vão ter novamente à venda doses para compra direta aos utentes que necessitem e mediante receita médica.

Neste atual surto, para gerir o stock de vacinas, a DGS decidiu que os viajantes que quiserem ser vacinados terão de submeter, através do médico, um pedido às autoridades de saúde.

Dos 480 pedidos feitos até ao momento por viajantes que pretendiam levar a vacina, cerca de 40% foram recusados.

As vacinas, que estão agora a ser administradas de forma gratuita, dirigem-se sobretudo a homens que têm sexo com homens de forma desprotegida e podem ter comportamentos de risco e a contactos íntimos e familiares de doentes com hepatite A.

A hepatite A é, geralmente, benigna e a letalidade é inferior 0,6% dos casos. A gravidade da doença aumenta com a idade, a infeção não provoca cronicidade e dá imunidade para o resto da vida.

Calcula-se que em Portugal mais de 95% da população com mais de 55 anos esteja imune, dado que a doença chegou a ser frequente e começou a decair com a melhoria das condições sanitárias e socioeconómicas.