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A partir de julho já se poderá telefonar no coração do Gerês

António Pedro Ferreira

Oito antenas novas ou renovadas vão permitir reforçar a rede de comunicações móveis no Parque Nacional da Peneda Gerês. O objetivo é “melhorar a segurança de turistas e vigilantes e prevenir incêndios”, diz o ministro do Ambiente

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Até final de junho vão ser instaladas ou renovadas seis antenas de comunicações móveis no Parque Nacional da Peneda Gerês, às quais se juntarão mais duas até final do ano. O projeto de interesse público – que conta com 600 mil euros do Fundo Ambiental – foi anunciado pelo ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, esta sexta-feira, em Melgaço.

“Este projeto é pensado para o comum dos cidadãos, sejam habitantes ou visitantes, para que possam comunicar em qualquer situação de emergência, sobretudo em caso de incêndio, e vai estar operacional antes do início da Fase Charlie”, explica Matos Fernandes ao Expresso.

Nesta área protegida, que se estende por cerca de 70 mil hectares, existem muitas zonas sem rede para que pessoas e forças de segurança possam comunicar. “Ainda no verão passado, o presidente do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) me contava que tinha de esperar uma hora e meia para ter notícias do combate a um incêndio, porque o comandante da equipa tinha de procurar uma zona onde captasse rede para telefonar”, relata o ministro. “No final da época de incêndios de 2016, ficou claro que isto era importante”, sublinha.

O alargamento do sistema de comunicações “não era considerado rentável para as operadoras”, explica Matos Fernandes, daí a necessidade de investimento público para a instalação dos equipamentos, que vai ser feita pela EDP. Meo, Vodafone e NOS fornecem o equipamento e ficam responsáveis pela sua manutenção e as câmaras municipais da região (Melgaço, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Terras de Bouro, Montalegre e Vieira do Minho) respondem pela manutenção das infraestruturas.

Os autarcas da região há muito se queixavam da falta de rede móvel em muitas das 22 freguesias locais. O presidente da Câmara de Melgaço, Manoel Batistas, afirma agora, em nota de imprensa, tratar-se de da concretização de uma "reivindicação antiga" e lembra que o problema, que agora espera ver resolvido, afeta não só a população local como “o desenvolvimento económico e turístico".

O projeto de reforço das comunicações móveis é uma das 11 medidas do plano-piloto de prevenção de incêndios florestais e de recuperação de habitats naturais nesta área protegida. Aprovado em outubro de 2016, o plano envolve um investimento de 8,5 milhões de euros.

A contratação de 50 pessoas para fazerem a vigilância, prevenção e combate primário no terreno também está quase concluída e estes operacionais deverão estar a postos “até 15 de junho”, adianta Matos Fernandes. Os concursos estão fechados e só falta selecionar os candidatos: 12 serão contratados pelo ICNF e 38 pela agência lque reune as autarquias.

Também as candidaturas a verbas comunitárias do POSEUR para recuperar quatro matas no Gerês (Ramiscal, Albergaria, mata de pinheiros silvestres e outra de teixiais) estão garantidas. O investimento de 800 mil euros (a dividir pelas quatro) “vai avançar até meados de maio”. O projeto de recuperação da Mata do Mezio, que prevê um investimento de 550 mil euros ainda tem de ir a concurso público. No total, segundo Matos Fernandes, vão ser recuperados “cerca de sete mil hectares de área nestas cinco matas o que equivale à área ardida no Parque do Gerês, no ano passado”.