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Baleia Azul: adolescente automutilada sujeita a exames forenses

Menor de 15 anos hospitalizada no serviço de pediatria no Hospital de S. João, no Porto, vai permanecer internada até à conclusão dos exames periciais aos cortes da mão, braço e peito. A investigação está a ser conduzida pela unidade de crime informático da PJ do Norte

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Apesar de não correr perigo de vida, a adolescente de 15 anos que esta terça-feira foi internada no Hospital de São João por ser mais uma vítima do jogo online 'Baleia Azul' só deverá regressar a casa, em Matosinhos, após serem conhecidos os resultados forenses dos cortes numa mão, braço e peito, supostamente autoinfligidos.

Segundo fonte da Polícia Judiciária do Porto, a investigação está a ser conduzida por peritos em cibercrime, “face aos fortes indícios” que a menor possa ter sido desafiada a seguir uma das etapas do jogo também conhecido por Blue Whale Challange. A PJ já estará de posse de telemóveis e outros meios digitais que possam ter sido utilizados pela adolescente para efeitos de peritagem a ligações a redes sociais, entre as quais o Facebook.

Ainda de acordo com a PJ, a menor não teria telemóvel próprio, tendo possivelmente recorrido ao equipamento de uma colega para aceder ao jogo. O gabinete de Relações Públicas do Comando da PSP do Porto confirmou ao Expresso que o alerta para o caso da automutilação da jovem de Matosinhos foi feito pela mãe de uma amiga da vítima, ontem, pelas 20h30. Após uma primeira abordagem da PSP na casa de família, a adolescente foi hospitalizada na companhia da mãe.

Este será o quarto caso relacionado com o jogo online já comunicado às autoridades portuguesas, alertando a PSP do Porto para atenção redobrada dos pais de adolescentes a jogos e solicitações via internet. A primeira situação conhecida foi a de uma jovem em Albufeira, que se atirou de um viaduto, na passada quinta-feira, e acabou por ser socorrida com vida. Em Sines, foi ainda internado um rapaz com cortes no corpo, suspeitando as autoridades de outro caso semelhante em Portalegre.

A PGR avançou já terem sido abertos três inquéritos relacionados com o jogo que terá origem numa rede social russa, equacionando medidas processuais para travar o fenómeno, entre as quais a do bloqueio de links.

O Expresso tentou, em vão, recolher informação junto do Hospital de São João.