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CGTP exige ao Governo que reveja a lei laboral

MANUEL DE ALMEIDA

Nas comemorações do 1º de Maio, em Lisboa, Arménio Carlos garante que a CGTP vai intensificar a luta pelos direitos dos trabalhadores e exige ao Governo que passe das palavras às ações. “Um ano e meio depois de ter iniciado funções, o Governo ainda não atacou os problemas na origem das desigualdades e da pobreza laboral”

No final do desfile entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, durante o comício da CGTP, Arménio Carlos deixou um aviso ao Governo. Embora reconheça a importância do Livro Verde das Relações Laborais para se avaliar a situação do país nessa matéria, o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP-IN) acredita que ainda falta passar das palavras às ações.

“Depois de constatar, é preciso agir para solucionar. De nada serve o diálogo se este não tem eficácia e não se traduz em medidas concretas para resolver os problemas em tempo útil”, diz Arménio Carlos, deixando um recado ao atual Governo PS.

Reconhecendo que “não se pode solucionar o que já foi destruído” (numa referência ao PSD/CDS), acusa a maioria de esquerda de não atacar os aspetos centrais dos problemas laborais. “Não é possível mudar sem romper com a política do passado”, defende, recordando que Portugal é um dos países com maiores desigualdades salariais e o sétimo da união económica e monetária onde mais se empobrece a trabalhar. “Apesar do desemprego estar a baixar, a precariedade não para de aumentar.”

Apontando o dedo ao Governo de António Costa, Arménio Carlos acrescenta: “Hoje, aqui na Alameda, penso que todos concordamos em dizer que, ano e meio depois de o Governo ter iniciado funções, não é normal que não tenha atacado os problemas na origem das desigualdades e pobreza laboral.”

Colocar um ponto final nas normas que facilitam os despedimentos, reavivar os contratos coletivos, assegurar a progressão de carreiras, reforçar o vínculo laboral dos trabalhadores e aumentar os salários são algumas das medidas apresentadas pelo sindicalista para responder às deficiências laborais do país.

“Vamos à luta, sim. Vamos à luta!”, exclamou, acrescentando que esta “é uma luta que está a dar resultados”. Mas é “para continuar, porque há muitos trabalhadores com vínculos precários e a serem explorados.”

Durante o discurso, Arménio Carlos anunciou ainda a realização de manifestações a 3 de junho em Lisboa e no Porto, inseridas no Dia Nacional de Luta, com o lema “Unidos pela valorização do trabalho e dos trabalhadores”.

Mentiras, retrocessos e manipulações

Dirigindo-se aos portugueses que estão esta tarde reunidos na Alameda, em Lisboa, Arménio Carlos apontou ainda as suas críticas aos Estados Unidos (EUA) e União Europeia (UE).

“Com os EUA a testar bombas em vários cantos do mundo, em ações marcadas por mentiras e manipulações, acreditamos que existem razões de inquietação que exigem a mobilização da população em defesa da paz e contra a guerra”, declara. E sublinha que a paz é fundamental para o desenvolvimento dos países. “Esta é uma mobilização que convoca todos, especialmente depois de Portugal ter sido sujeito ao programa da troika que humilhou o povo português.”

O secretário-geral da CGTP acusa ainda a UE de “ser arrogante com os pequenos e subserviente em relação aos grandes”, “fomentar guetos para os refugiados” e procurar acordos “em que os interesses económicos se sobrepõem aos direitos dos trabalhadores e dos povos”.

É assim que Arménio Carlos se refere ao CETA, sigla inglesa para designar o tratado comercial entre a União Europeia e o Canadá (Canada Comprehensive Economic and Trade Agreement). Este é, na perspetiva da CGTP, um retrocesso nos interesses nacionais.

“A CGTP opõe-se ao tratado e apela ao povo português para combater este compromisso económico e comercial, que constitui um retrocesso”, afirma, concluindo: “Está na altura de dizer 'não' ao CETA, de defender os interesses nacionais.