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Marcelo diz que sentiremos a “falta da voz independente e crítica” de Brederode

António Cotrim / Lusa

O chefe de Estado recorda Nuno Brederode dos Santos como “homem de inabaláveis convicções democráticas”, que “manteve sempre a sua fidelidade aos princípios do socialismo europeu e aos valores do Estado de direito, da liberdade e da justiça”

O Presidente da República lamenta a morte de Nuno Brederode Santos, considerando que os portugueses sentirão falta da sua voz independente e crítica e que a melhor forma de o homenagear é cultivar o civismo esclarecido.

O cronista morreu na manhã de sábado, aos 73 anos, de doença prolongada, no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, onde estava internado há duas semanas. O velório decorrerá a partir das 15h deste domingo, no Museu da Cidade, em Lisboa, de onde partirá o funeral no dia seguinte, também às 15h, para o Cemitério dos Prazeres.

Numa nota enviada à agência Lusa, Marcelo Rebelo de Sousa lamenta a "triste notícia" da morte de Brederode dos Santos e apresenta as "mais sentidas condolências" à sua família.

"Nuno Brederode Santos foi uma personalidade que marcou de forma discreta, mas profunda, os caminhos da democracia portuguesa, pela inteligência e pela argúcia do seu olhar sobre a realidade, pela capacidade analítica e lucidez das suas reflexões e pela elegância da sua escrita, onde ecoava a sua suave ironia e o seu irreprimível sentido de humor", refere Marcelo.

O chefe de Estado recorda-o como "homem de inabaláveis convicções democráticas" que "manteve sempre a sua fidelidade aos princípios do socialismo europeu e aos valores do Estado de direito, da liberdade e da justiça".

Marcelo Rebelo de Sousa afirma que "os portugueses sentirão a falta da sua voz independente e crítica, nunca esquecendo o patriotismo e o sentido de amor a Portugal que nortearam a vida de Nuno Brederode Santos".

"A melhor forma de homenagearmos a sua memória – a memória de um homem bom, de quem tive o privilégio de ser amigo – é cultivarmos o civismo esclarecido e o são convívio democrático, no respeito pelas convicções alheias e pela diversidade de opiniões, e na certeza de que o diálogo e a elevação constituem regras basilares de funcionamento de uma democracia pluralista e amadurecida", acrescenta.

Nuno Brederode dos Santos nasceu em Lisboa em 14 de dezembro de 1944, e ficou conhecido pelas suas crónicas no semanário Expresso, que escreveu ao longo de 17 anos, tendo posteriormente passado para o jornal Diário de Notícias, entre 2006 e 2009.

Pelas suas crónicas no Expresso, ganhou o Prémio Gazeta Crónica, do Clube de Jornalistas, em 1990. No mesmo ano publicou uma coletânea dessas crónicas no livro 'Rumor Civil', publicado pela editora Relógio d'Água.

Fez a sua vida profissional no Instituto de Participações do Estado, filiou-se no Partido Socialista em 1977 e foi conselheiro político do Presidente da República Jorge Sampaio, entre 1996 e 2006.

Nuno Brederode dos Santos foi companheiro da atriz Maria do Céu Guerra nos últimos 20 anos.