Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Em duas décadas, o gelo no Ártico será apenas uma memória do passado

Mario Tama / Getty Images

A manter-se o ritmo atual de redução da cobertura de gelo no Ártico, a maior parte do oceano naquela região estará descongelada em 2040. A revista britânica “The Economist” deixa o alerta

Ligações navais mais rápidas entre as costas do Pacífico asiático e do Atlântico no norte da Europa e dos Estados Unidos, prospeção de novas reservas de gás e petróleo são motivo de satisfação para alguns. E de medo para outros. Estas poderão ser apenas algumas das consequências do que, segundo a revista britânica "The Economist", deverá acontecer dentro de 23 anos. Porque a manter-se o ritmo atual de descongelamento do oceano Ártico, no verão de 2040 aquela região deverá apresentar um elevado nível de desaparecimento da cobertura de gelo.

"Aqueles que duvidam do poder do ser humano em alterar o clima da Terra, devem olhar para o Ártico e ficarão arrepiados". E não será de frio. É assim, com este aviso, que começa um dos artigos principais da última edição da respeitada revista. "O processo é claramente visível no encolhimento da cobertura estival de gelo (na região), que caiu para a metade e o seu volume diminuiu três quartos. Com a tendência atual, a maioria do oceano Ártico estará livre de gelo por volta de 2040", refere o texto.

Assim, para a revista, a reação perante esta previsão não deve ser de satisfação, perante os eventuais ganhos económicos, mas, sim, de "medo". O texto recorda que o atual período de aquecimento global resulta da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, o que causa uma espécie de bloqueio na circulação de gases e que, quanto mais dióxido de carbono houver no ar, maior será o aquecimento. E o que parece simples, diz a revista, torna-se complexo ao pensarmos que, como a água do mar é mais escura do que o gelo, absorve mais calor, derretendo ainda mais o gelo, mecanismo que explicaria porque o Ártico está a aquecer-se a um ritmo mais rápido do que o resto do planeta.

Nem todos os problemas estão, contudo, na água, também a cobertura terrestre apresenta riscos. A revista lembra que o solo congelado da região ártica esconde uma grande quantidade de material orgânico e que se esta cobertura descongelar, poderão surgir incêndios em resultado da degradação do dióxido de carbono ou do gás metano, ainda mais potente como causador do efeito estufa.

Correntes oceânicas e ventos mais fracos, capazes de influenciar o comportamento das monções na Índia e do fenómeno climático El Niño no Oceano Pacífico, são outras consequências apontadas. O maior risco, contudo, diz a "The Economist", será se algo acontecer à cobertura de gelo da Gronelândia, responsável por cerca de 10% da água mundial. Se esta cobertura descongelar, o nível dos oceanos irá subir ou haverá grandes blocos de gelo a flutuar acima das expectativas e previsões atuais.

A conclusão da revista é clara: "A difícil verdade é que o Ártico, como é conhecido atualmente, é quase certo algo do passado." Assim sendo, a revista defende que se mantém essencial conjugar "esforços para mitigar o aquecimento global através do corte de emissões".

O artigo da revista "The Economist" foi publicado esta sexta-feira, um dia antes de as ruas de várias cidades norte-americanas, inclusive Washington, terem sido palco de manifestações que reuniram milhares de manifestantes contra a política ambiental do novo Presidente dos Estados Unidos.