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Só Salazar não deu tolerância de ponto

ANDREAS SOLARO / EPA

Ditador decretou feriado. Pinto Balsemão e Cavaco Silva deram tolerância de ponto e amnistia. António Guterres e José Sócrates deram folga

Apesar da polémica sobre a concessão de um dia de tolerância de ponto a propósito da vinda do Papa a Portugal, este é o Governo que menos benefícios vai distribuir com a visita de um Sumo Pontífice.

Há sete anos, quando Bento XVI veio a Portugal, José Sócrates deu um dia de tolerância de ponto a nível nacional e dois meios dias aos trabalhadores de Lisboa e do Porto para que pudessem acompanhar a deslocação papal. Antes, as três visitas de João Paulo II ao país tinham justificado a concessão de até três dias de tolerância de ponto e, por duas vezes, foram decretadas amnistias gerais, que chegaram a abranger centenas de detidos nas prisões portuguesas e libertaram milhares de portugueses de multas de trânsito.

Em 1982, quando o Papa polaco veio pela primeira vez a Portugal, chegou mesmo a haver um abaixo-assinado de detidos em 17 prisões que ameaçavam entrar em greve da fome, caso o Governo não aproveitasse a presença de Karol Woytila para uma amnistia geral. O Governo de Pinto Balsemão acabou por ceder e cerca de 500 presos foram libertados.

Salazar, em 1967, era chefe do Governo quando, pela primeira vez, um Papa visitou o país. O ditador decretou um dia de feriado nacional a 13 de maio e permitiu uma amnistia geral. Mas recusou encontrar-se com Paulo VI, depois de o Papa ter recebido, em Roma, representantes dos movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas de África.