Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Associação Naval de Lisboa festeja 160 anos com desfile no Tejo

Nuno Botelho

Desfile náutico decorre no domingo à tarde, entre as docas de Alcântara e o Padrão dos Descobrimentos, em Belém, e vai contar com 300 embarcações e “cerca de mil pessoas na água”, diz André Bettencourt, comodoro da coletividade

A Associação Naval de Lisboa encerra este domingo as celebrações dos seus 160 anos com um desfile no rio Tejo que vai juntar cerca de 300 embarcações a remos, à vela e a motor.

O desfile náutico, que decorre no domingo à tarde entre as docas de Alcântara e o Padrão dos Descobrimentos, em Belém, vai contar com "cerca de 300 barcos" e "cerca de mil pessoas na água", disse à Lusa o comodoro da Associação Naval de Lisboa (ANL) André Bettencourt.

Entre as coletividades representadas estarão o Clube Naval de Lisboa, Sport Algés e Dafundo, Clube Naval de Almada e uma equipa de baleeiros dos Açores, entre outros.

"De França contamos com o Cercle Nautique de France e o Athletic Club de Boulogne-Billancourt, e da Holanda contamos com equipas do Koninklijke Amesterdamsche Roie", elencou o também presidente do Conselho Geral.

Também a Marinha e a Força Aérea Portuguesa se associam a esta iniciativa, que se estende ao céu, com os F16 e "acrobacias aéreas do piloto Luís Garção", apontou a ANL.

Esta associação, formalmente constituída a 30 de abril de 1856 com o nome de Real Associação Naval, conta atualmente com cerca de 1500 sócios, nas modalidades de remo, vela e motonáutica.

De acordo os estatutos assinados na altura pelo Rei D. Pedro V, a Associação Naval de Lisboa foi criada com o objetivo de "animar a construção e navegação de iates ou barcos de recreio e promover o divertimento das regatas em Portugal", lembra a organização.

"Temos um enorme orgulho no legado que estes 160 anos no deixaram, mas queremos cada vez mais ir ao encontro das novas gerações. Só assim poderemos assegurar a continuidade e o sucesso de um projeto que tem de ser reinventado periodicamente", salientou o comodoro André Bettencourt.

Apontando que a ANL quer ser "a porta de entrada da cidade de Lisboa para o rio Tejo, e ao mesmo tempo o maior clube náutico de vela e de remo da Europa", o responsável ressalvou a importância de "fortes apoios, quer públicos, quer privados" para chegar ao objetivo dos dois mil participantes e desta forma "ampliar e melhorar muito as instalações" do clube.

Outro dos objetivos do clube passa por tornar este desfile num evento anual.

"A ideia é lançar com este desfile as bases para um grande festival náutico em Lisboa, com uma cadência anual e que possa proporcionar aos lisboetas, e a todos aqueles que nos visitam, uma experiência marcante durante uma semana. Isto com exposições, regatas, debates e outras iniciativas, culminando sempre com um desfile náutico", afirmou André Bettencourt.

Com este género de iniciativas, continuou, a ANL pretende "mostrar que é de dentro do rio que se vive a náutica e não apenas das margens".

"Muitas vezes fala-se de uma cidade virada para o rio, mas o que acontece na maior parte do ano é que os lisboetas e os nossos visitantes ficam-se quase exclusivamente pelas margens", advogou o comodoro, considerando que o "Tejo é um verdadeiro deserto" e que há ainda um longo caminho a percorrer" para alterar esta situação.

O desfile náutico deverá contar com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também presidente honorário do clube, que seguirá num catamarã a motor, avançou a ANL à Lusa.