Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Em Campolide paga-se e compra-se em lixo

João Barata/Junta de Freguesia de Campolide

Na freguesia de Campolide, em Lisboa, trocam-se resíduos de papel, plástico e vidro por uma espécie de “notas de Monopólio” que podem ser usadas no comércio local. Iniciativa inovadora da junta de freguesia está a dar frutos e parte para a segunda edição

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Tudo começou há cerca de um ano, quando os membros da junta de freguesia de Campolide se sentaram em torno de uma mesa a pensar como conseguiriam levar as pessoas a separar mais o lixo para reciclagem premiando-as e permitindo que o comércio local saísse do estado moribundo em que se encontrava.

“Já tínhamos um historial de medidas inovadoras que fazem diferença no terreno e queríamos deixar uma marca na separação de resíduos”, conta ao Expresso o presidente da junta, André Couto.

Assim nasceu a ideia “Pago em Lixo”, que permite trocar um quilo de papel ou de embalagens de plástico por uma nota verde de “1 lixo”, que vale €1 para tomar um café, comprar pão ou fruta no comércio local, ou por uns sapatos a arranjar no sapateiro.

O projeto avançou para o terreno em setembro de 2016 e, sete meses passados, já contabilizou a entrega de 1844 quilos de vidro, 912 quilos de embalagens e plástico e 685 quilos de papel e cartão. Cerca de 80 estabelecimentos localizados em Campolide, entre cafés, mercearias, supermercados, farmácias, restaurantes ou sapateiros aderiram à ideia.

A iniciativa "teve tanto sucesso", diz André Couto, que a junta decidiu restringir a adesão apenas aos residentes em Campolide e duplicar o orçamento de €7500 para €15.000”. Até “os comerciantes já usam entre eles esta espécie de notas de monopólio”, conta.

O programa e outras ideias inovadoras no âmbito da sustentabilidade ambiental e economia circular já valeram à junta de freguesia uma Bandeira Verde do programa Eco-Freguesias XXI e um primeiro lugar na categoria de “visão para o desenvolvimento”

A nova edição do projeto com novas regras arranca em maio. “Como havia mais vidro que outros resíduos, aumentámos a equivalência deste material para 3kg=1Lixo e decidimos que apenas os cidadãos recenseados na junta de freguesia de Campolide podem participar, com um máximo de dez quilos por ação”, esclarece André Couto. “A vida em Campolide paga-se e compra-se com Lixo”, e assim se mudam comportamentos.