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Câmara da Maia: presidente indignado com corte nas ambulâncias do INEM

José Carlos Carvalho

A notícia do corte entre as 00h e as 8h das ambulâncias do INEM na Maia e em mais sete concelhos, já a partir de segunda-feira, deixou o presidente da autarquia extremamente descontente com o Governo: “Com a saúde das pessoas não se pode brincar, porque nós só temos uma vida”

O presidente da Câmara da Maia acusou esta sexta-feira o Governo de "brincar com a saúde das pessoas" e considera uma "vergonha" e "má-fé" cortar nas ambulâncias de emergência médica num concelho com 150 mil habitantes, aeroporto e quatro autoestradas.

O Jornal de Notícias escreve esta sexta-feira que as ambulâncias do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) vão deixar de funcionar entre as 00h e as 8h nos concelhos da Maia, Guimarães, Chaves, Espinho, Covilhã, Aveiro, Anadia e Amadora e detalha que a medida entra em vigor na próxima segunda-feira para durar até ao final do ano.

"É uma vergonha o que está a acontecer (...). Isto é mais uma medida do Governo que só pensa em números e esquece as pessoas. Foi exatamente isso que me disse o senhor presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica: é por falta de pessoal e de meios", declarou à Lusa, em entrevista telefónica, o presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes.

Para o autarca o corte no serviço noturno das ambulâncias do INEM é um ato de "má-fé", porque o Governo não dialogou, nem avisou a autarquia sobre a medida.

Bragança Fernandes critica a decisão do Governo, referindo que se trata de "um empurrar para a frente do défice" em vez de tratar de admitir os técnicos em devido tempo.

"Com a saúde das pessoas não se pode brincar, porque nós só temos uma vida", avisou o autarca, referindo a Maia é um concelho com "150 mil habitantes, tem um aeroporto, tem quatro autoestradas, tem uma zona industrial maior, tem os pórticos a que as pessoas fogem para as vias municipais" e que a decisão seja conhecida numa sexta-feira, antes de um fim de semana prolongado.

Bragança Fernandes adiantou à Lusa que enviou esta sexta-feira uma carta ao ministro da Saúde para ser informado do que está a acontecer, porque, reiterou "com a vida das pessoas não se pode brincar".

O autarca sugeriu ainda ao Governo que devia ter admitido mais profissionais no INEM em vez de ter perdoado a dívida à EDP.

"Com o perdão de dívida que fizeram à EDP, esse dinheiro era suficiente para admitir muitos técnicos que dizem que estão em falta. Tem que haver mas é coerência, prudência e salvaguardar o interesse das pessoas".

Cerca das 13h, a Lusa aguardava ainda resposta do INEM a um pedido de informações adicionais sobre o assunto.