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Petição pela vacinação obrigatória já ultrapassa 10.500 assinaturas

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Entre os assinantes encontram-se alguns médicos e outros profissionais de saúde. “Por uma questão de saúde pública, não queremos que exista um retrocesso civilizacional no que à evolução médica diz respeito”, afirma a petição

Mais de 10.500 pessoas assinaram a petição pública que defende a vacinação obrigatória no caso das vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV).

Segundo texto da petição, divulgado no site Petição Pública, os signatários, entre os quais médicos e outros profissionais de saúde, defendem que "é cada vez mais importante alertar as pessoas para a necessidade de vacinar as crianças", depois de na semana passada ter sido conhecida em Portugal a primeira morte por sarampo, de uma jovem de 17 anos que não estava vacinada.

"Por uma questão de saúde pública, não queremos que exista um retrocesso civilizacional no que à evolução médica diz respeito", recordam os signatários da petição, que até às 8h45 de hoje tinha recolhido 10.515 assinaturas, algumas de médicos e outros profissionais de saúde.

Para defender a obrigatoriedade das vacinas incluídas no PNV, os signatários da petição, lançada há uma semana, lembram que "estas mesmas crianças não vacinadas (...) podem ser foco de infeção para quem tem um sistema imunitário fraco ou para quem não pode ser, de todo, vacinado", mas reconhecem que "muitos dos casos que agora surgem de doenças para as quais já há vacinas não se prendem, diretamente, com os movimentos antivacinação".

"Porque não queremos voltar a temer doenças como a tuberculose, o sarampo, a escarlatina ou a tosse convulsa (...), vimos pedir que seja pensada a obrigatoriedade da vacinação de todas as crianças – e apenas das vacinas que constam do Plano Nacional de Vacinação, que sabemos ser um dos mais robustos da Europa", defende a petição.

Depois de ter sido conhecida a morte de uma jovem de 17 anos infetada com sarampo, a Direção-Geral da Saúde (DGS) aconselhou as escolas a afastarem dos estabelecimentos de ensino por um período de 21 dias qualquer membro da comunidade escolar que, depois de exposto ao vírus do sarampo, recuse ser vacinado.

"Os delegados de saúde verificam a existência de contacto com um doente em fase de contágio e sugerem, quando indicada, a vacinação. Nestes casos, e perante a recusa da vacinação de qualquer membro da comunidade escolar, em situação de pós-exposição, aconselha-se a não frequência da instituição durante 21 dias após o contacto", refere a orientação da DGS.

Referindo que a imunidade de grupo protege toda a comunidade, incluindo "as poucas crianças que, por circunstâncias específicas, não estão vacinadas", a orientação às escolas sublinha, ainda assim, que é "importante que todas as crianças sejam vacinadas, para benefício próprio e da população em geral".

Na segunda-feira começou a Semana Europeia da Imunização, sob o lema "Vaciones Work" (vacinas funcionam) e, no seguimento desta campanha, a Associação Respira aliou-se à Fundação Portuguesa do Pulmão e ao Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar para lançar hoje o Movimento de Doentes pela Vacinação.

O comissário europeu para a Saúde, Vytenis Andriukaitis, reiterou na segunda-feira que as vacinas são uma das vias mais seguras para prevenir doenças e que a descrença na imunização é "uma ameaça que não pode ser ignorada".

"As vacinas são uma das formas mais seguras e economicamente mais eficazes de assegurar a saúde pública e de prevenir doenças evitáveis", disse Andriukaitis, num comunicado divulgado no âmbito da Semana Europeia da Imunização.

A declaração, assinada conjuntamente com a diretora para a Europa da Organização Mundial de Saúde (OMS), Zsuzsanna Jakab, sublinha que "os mitos antivacinação e a falta de conhecimento podem levar as pessoas a recusar as vacinas, o que, por sua vez, pode abrir a porta para surtos de doenças", sustentando que "a diminuição da confiança pública na imunização é uma ameaça séria que não pode ser ignorada".

Um dos exemplos apresentados é o do sarampo, que matou cerca de 2,6 milhões de pessoas por ano até à larga difusão da vacinação, em 1980.

Segundo uma informação divulgada na segunda-feira pela DGS, em Portugal foram notificados este ano 87 casos de sarampo, dos quais 24 confirmados e outros 12 estão ainda em investigação.
O sarampo é uma doença altamente contagiosa, geralmente benigna mas que pode desencadear complicações e até ser fatal.

ode ser prevenida pela vacinação, que em Portugal é gratuita.
Dezoito países europeus foram incluídos numa lista de regiões com transmissão endémica de sarampo, segundo os dados do Centro Europeu para Prevenção e Controlo de Doenças.