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Vitamina D: “É uma questão de saúde pública séria”, diz bastonário dos Médicos

MANDATO. Miguel Guimarães, 55 anos, é urologista da equipa de transplantação do Hospital de São João, no Porto, e preside à Ordem dos Médicos

d.r.

Miguel Guimarães considera “urgente” que as entidades oficiais esclareçam qual dos aparelhos e métodos aplicados na avaliação do défice de vitamina D está correto. Em causa está o possível consumo excessivo desta substância, avançado por uma investigação da SIC

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

“Estamos perante uma questão de saúde pública séria e é urgente esclarecer o que justifica uma diferença tão elevada de valores de vitamina D, com base em amostras do mesmo sangue”, afirma o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, em declarações ao Expresso.

Com base na informação avançada pela reportagem da SIC, de que a aplicação de dois aparelhos e métodos diferentes revela resultados com elevadas discrepâncias, o bastonário incita o Infarmed a “fazer uma investigação rápida para avaliar qual dos dois kits é válido”, uma vez que “pode haver muita gente a tomar vitamina D e não o devia fazer”.

Uma reportagem da SIC, transmitida na sexta-feira revelou que existem dois estudos em Portugal, um da Universidade Nova de Lisboa (Epireuma) e outro do Centro Hospitalar de Coimbra, com resultados muito diferentes. Os dois incidiram sobre as mesmas amostras de sangue, mas utilizaram métodos e aparelhos diferentes. O da Nova constatou um défice de vitamina D de 15,7% em mulheres com mais de 65 anos, e o de Coimbra um valor (71,7%) que equivale a quase cinco vezes mais.

“Somos um país com muito sol e temos de tentar perceber o que se passa”, afirma Miguel Guimarães, adiantando que vai pedir aos colegas dos colégios das especialidades que podem ter mais contacto com estas situações “uma opinião sobre as boas práticas a seguir”.

Os encargos com a prescrição de vitamina D quintuplicaram entre 2014 e 2016, passando de € 1,1 milhões para 5,7 milhões, entre medicamentos com e sem comparticipação. E a despesa para o Serviço Nacional de Saúde quase triplicou, passando de 779 mil euros para 2,1 milhões de euros, avançou a SIC.

As autoridades da Saúde — Infarmed, Direção Geral da Saúde e Instituto Ricardo Jorge — já anunciaram que vão “avaliar” a situação de forma “profunda e esclarecedora, mas, para já, consideram que "estes valores, só por si, não permitem concluir que há um sobretratamento do défice de Vitamina D".

No entanto, admitem ser necessário perceber "as razões que justificam este aumento anormal da utilização de medicamentos contendo vitamina D", assim como os métodos usados nas análises e a racionalidade na prescrição destes medicamentos.

  • Estarão os portugueses a consumir vitamina D em excesso? 

    Em apenas dois anos, a despesa do Serviço Nacional de Saúde com vitamina D aumentou 600%. Um cenário que acontece depois de publicitado um estudo que dá como certo que a maioria dos portugueses têm falta de vitamina. No entanto, um outro estudo feito com as mesmas pessoas e com kits diferentes dá outros resultados. Fomos tentar perceber o que se passa. Serão as análises fiáveis? Estarão os portugueses a consumir vitamina D em excesso?