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Atleta compacto

d.r.

O A45 é o mais compacto dos desportivos da Mercedes-AMG e surge agora revisto. As mudanças são sobretudo estéticas, mas poder levar este automóvel para uma pista é uma espécie de prova dos nove. Foi o que fez o jornalista Rui Pedro Reis, que esteve no circuito de Hungaroring a testar a nova geração do A45, num traçado que é um desafio para máquinas e pilotos

Rui Pedro Reis

Antes de acelerar, é melhor começar este texto a situar o leitor. O circuito de Hungaroring fica nos arredores de Budapeste, Hungria. É um daqueles circuitos à antiga, que continua a fazer parte do campeonato do mundo de Fórmula 1. Os pilotos dizem que é um desafio a vários níveis, em especial porque é difícil de ultrapassar. Esse problema não vou ter, porque neste ensaio as ultrapassagens nem estão permitidas e para andar à vontade o melhor mesmo é deixar uma distancia confortável para o carro da frente. Como bom aluno que não gosta de fazer má figura, na véspera de apanhar o avião para a Hungria, dediquei algum tempo a recordar o traçado de Hungaroring na PlayStation. Deu para decorar a sequência de curvas, mas a primeira volta a sério no circuito mostrou que a consola não consegue replicar as forças G nem as subidas e descidas que tornam este circuito tão especial.

Agarrado ao asfalto

d.r.

Em estrada, um dos atributos do A45 é a forma como se cola à estrada e como curva de maneira precisa, mesmo a velocidades elevadas. Mas, muitas vezes, é em pista que se descobrem os pontos fracos de um automóvel. Logo às primeiras voltas e com o seletor de condução já em modo Race (o mais “radical”), o Mercedes A45 mostrou uma precisão notável. O sistema de tração integral distribui a potência pelas quatro rodas e logo convida a desligar o controlo de tração, porque à saída das curvas mais lentas até da jeito que o carro escorregue um bocado. Embora tenha sido a primeira vez que conduzi um A45 em pista, fiquei com a sensação que o sistema de tração integral está melhorado e que o mais potente dos Classe A tem agora muito menos tendência subviradora, com a frente mais precisa nas curvas. Claro que na base, este é um automóvel de tração à frente e o sistema 4x4 não é permanente. Sempre que necessário, a potência é distribuída pelos dois eixos, numa proporção que pode chegar a 50:50, mas que nunca tem mais potência no eixo traseiro. Importa também sublinhar que o modo de condução Race que se mostrou decisivo no Hungaroring faz parte do pack Dynamic Plus, que inclui também um diferencial autoblocante no eixo dianteiro e amortecedores adaptativos. Entre as novidades está também a nova sonoridade do escape. Sim, é trabalhada de forma eletrónica. Mas, o que interessa é que soa mesmo bem e dá ao automóvel uma atitude ainda mais irreverente, sem se tornar artificial.

Tecnologia revista e melhorada

d.r.

Debaixo do capô está o mesmo quatro cilindros 2.0, a debitar 381 cv. Faz 4,2s dos 0 aos 100 km/h e só não vai além dos 250 km/h de velocidade máxima porque a eletrónica não deixa. Foi revisto para reduzir a fricção e é integralmente construído em alumínio para reduzir o peso na frente do automóvel. A partir das 2500 r.p.m. a presença do turbo dá um fulgor especial a este bloco e mostra que mesmo o mais modesto dos AMG pode ser generoso no prazer de condução que oferece. Pessoalmente, acho que o lado menos positivo do A45 continua a ser a caixa de culpa embraiagem DCT 7 que no modo automático nem sempre toma as decisões mais acertadas quando se quer fazer uma condução desportiva. Mesmo no modo sequencial, o sistema é muito conservador nas reduções e por vezes estas não acontecem quando se pretende e só um segundo depois, o que em circuito pode ser uma eternidade. Já em estrada, estes detalhes esbatem-se e pode quase passar despercebidos. De resto, pouco ou nada a acrescentar. A direção mesmo não sendo das mais pesadas, é rigorosa e informativa. O interior do A45 acompanha a imagem de desportividade e só uma estrada em piores condições mostra que mesmo um desportivo compacto obriga a uma suspensão que mesmo no modo Comfort é pouco dada a grandes confortos. Mas o que é que isso interessa mesmo? Uma tarde de adrenalina no Hungaroring chegou e sobrou para reacender a chama. O Mercedes A45 AMG é uma daquelas paixões que não consigo esquecer. Se o leitor tem a sorte de ter um na garagem, parabéns. Mas se tem um outro Classe A não fique triste, mas não tente fazer isto com o seu.